Opinião
� proibido proibir
A notícia explodiu como uma bomba: o superintendente da PF no Estado, delegado Pinto Luna estava entregando o cargo. Citava-se ainda a sua provável candidatura ao Senado da República por Alagoas, candidatura para a qual inúmeros partidos políticos de variados matizes já estariam fazendo-lhe voraz assédio. Não sei se o conjunto das duas notícias é bom ou ruim para nosso sacrificado Estado. Pelo trabalho que desenvolveu à frente da PF em Alagoas ? ações que tiveram entre outras consequências, a recuperação de um pouco da esmigalhada autoestima dos alagoanos ?, Luna, para a maioria dos conterrâneos ficaria indefinidamente no cargo, inclusive, sem direito a aposentadoria. Mas, a realidade nacional é que estes ilustres membros da PF se aposentam precocemente, quando estão no ápice da potência física, mental e com indispensável experiência operacional; portanto, em plenas condições de dar ainda muitos anos de inestimável contribuição à sociedade. Decorrente deste perfil saudável, eles não deveriam se aposentar antes das professoras, que ao que me consta, só o podem aos 55 anos de idade. A possível candidatura do dr. Luna ao Senado por Alagoas não deixaria de ser ao mesmo tempo estimulante e preocupante. Estimulante porque, se eleito, propiciaria a um cidadão integralmente envolvido no combate ao descumprimento das leis, a oportunidade de laborar em um ambiente onde mais do que em qualquer outro, o modus operandi de relevante parte de seus membros contraria as leis, despreza a ética. Cícero, pasmo diante do viciado Senado romano, exclamou: Consuetudinis magna vis est! (grande é a força do hábito). Dr. Luna, se eleito, labutaria no cerúleo ambiente onde considerável parcela de seus representantes preocupa-se mais com privilégios e benefícios pessoais e para os seus protegidos do que com os rumos da Nação, péssima referência à jovem democracia. Um ambiente lascivo onde tudo que não está escrito como expressamente proibido, lhes é permitido. Superlativo do escrachado tropicalismo tupiniquim, quando se apregoava o ?É proibido proibir?, com a substancial diferença que não é um grupo de hippies porras-loucas cantarolando, mas sim a elite política brasileira operando. A sua eleição, caso concretizada, por mais meritória que o fosse e serviços prestados o tenha, em sendo um forasteiro recente, não deixaria de ser um atestado do fracasso dos postulantes locais, o que configuraria um indiscutível capitis deminutio para a classe política alagoana. (*) É médico e professor da Uncisal.