Opinião
O bispo ser� sempre um servo de todos
De nossa igreja arquidiocesana de Maceió sai para servir a Igreja de Cristo que está em Aracajú: o nosso Dom Henrique Soares da Costa. Foi com muita emoção que participamos desta festa: uma mistura solene de alegria e de saudades, entendidas à luz da fé! Aí vamos entendendo a missão sublime da episcopado e toda missão de quem serve na Igreja de Cristo! Esta caridade pastoral com traços de maternidade, que leva o pastor ao limite da audácia em sua missão, provém da consciência de ser ele um instrumento nas mãos de quem o escolheu. Ele foi eleito, agraciado com um dom especial para o serviço do povo de Deus, participa da missão do Cristo cabeça e pastor e, portanto, torna visível e operante a missão do Cristo, enquanto exerce o tríplice múnus de sua condição de pastor: ensinar, santificar e governar. Através do serviço da Palavra, deve ser o pastor o mestre da fé pelo ensinamento da verdade recebida e custodiada íntegra para ser transmitida com fidelidade. O serviço da Liturgia faz do pastor um administrador dos mistérios de Deus para a santificação do povo de Deus. O pastoreio da comunidade eclesial faz do bispo um ?guia do povo de Deus?, governando na caridade aqueles que o Senhor adquiriu para si com a oferta de sua vida no sacrifício da Cruz. Em Cristo bom Pastor, encontra o bispo o modelo capaz de dinamizar sua existência em contínuo espírito de serviço. ?Aquele que é cabeça da Igreja deve antes de tudo entender que ele é servidor de todos. Não despreze este serviço. Não se envergonhe de ser servidor de todos, vendo que o Senhor dos senhores não se envergonhou de colocar-se ao nosso serviço. [...] Portanto, se alguém deseja ser um Bispo, mas não deseja realizar esta nobre tarefa, mas procura chamar atenção sobre si mesmo, ele está buscando o título, mas não a realidade do ministério? (Santo Agostinho ? Sermões). Esta missão ministerial necessita ser acolhida num coração marcado pela humildade e pela disponibilidade. Jamais deve ser um estímulo à soberba ou sinal de privilégio e prestígio puramente humano. Deve, sim, ser condição para o exercício quotidiano da santidade, condição efetiva para tornar frutífera a graça recebida. São Gregório Magno, com palavras cheias de profecia, aponta para onde deve estar endereçado o pensamento daqueles que assumem a missão de governar o povo de Deus: ?Aqueles que governam devem ter no pensamento não o poder que o cargo lhes confere, mas a igualdade da condição humana; que eles se alegrem não por dar ordens aos homens, mas em lhes ser úteis. Assim, a função suprema é exercida como deve ser, quando aquele que preside domina sobre os vícios mais do que sobre os irmãos? (Da Regra Pastoral de São Gregório Mágno). (*) É arcebispo Metropolitano de Maceió.