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Jornalismo: luzes ou sombras?

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No último artigo publicado, afirmei que era terreno comum o debate que aponta o Iluminismo no século 17 como responsável pelo despertar da ciência. Além de ter capturado a direção e as leis que determinariam a dinâmica e o sentido da História. Reconhecendo o viés da reflexão kantiana como marco inaugural da modernidade o lema, Sapere Aude, isto é, ousa servir-te de tua razão. O que levaria o sujeito a sair da menoridade, da qual ele é o único culpado. Fundamento ético e gnosiológico para o desenvolvimento dos pilares da modernidade. Porém, a atual medida que desobrigou o diploma dos jornalistas possui uma postura tipicamente irracionalista e de cinismo político dentro de uma infundada leitura da realidade pelo viés da menoridade do STF. No entanto, tal posicionamento, comprometido com o fim da História, da precarização da notícia e da relativização do conhecimento na lógica do ?vale tudo?. Dessa forma, será vital uma leitura que ponha em cheque a astúcia dessa razão cínica, dita pós-moderna. Segundo o mestre pernambucano Michel Zaidan Filho, onde não há liberdade, não há história, mas a supressão do sujeito, e o discurso autoritário do poder. Todo conhecimento só pode ser crítico, e a atividade da crítica deve ser necessariamente desmitificadora e desmistificadora no combate as relações de poder, ao discurso da homogeneização e a naturalização de técnicas de racionalização da opinião pública. Talvez esta seja a grande saída das empresas de comunicação quando evitam a criticidade e procuram estabelecer junto ao Estado a chamada desregulamentação dos jornalistas sob o metabolismo do capital. Ficou fácil constatar quem são os novos execrados com essa medida do STF, ou seja, basta compreendermos a verdadeira natureza desse espetáculo, desemprego e desumanização seguido de uma angustiante desinformação. Surge a urgência dos alunos, profissionais e sindicatos na denúncia dessa perversa herança irracionalista que é um tipo de política obscura que atinge, primeiramente, um segmento específico da sociedade tomando o diploma, e em seguida invade o nosso imaginário e atira na nossa liberdade. É preciso combater essas formas de poder dizendo não a todo tipo de obscuridade. Como nunca, jornalismo: luzes ou sombras? (*) É licenciado e mestre pela UFPE e professor do Cesmac.

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