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O Brasil ainda constrói como no século passado — até quando?

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O Brasil ainda constrói como no século passado — até quando?

Rubens Campos - CEO da Espaço Smart

Segundo levantamento do IBGE - Instituto Brasileito de Geografia e Pesquisa -, de 2025, 88,2% das casas construídas no Brasil são erguidas com alvenaria tradicional: tijolo, bloco e concreto moldado no local. O mesmo método construtivo utilizado há décadas. É fato: o setor civil brasileiro permanece preso a métodos essencialmente artesanais, um mercado que na prática ainda empilha tijolos como há 200 anos, com baixa produtividade, altos índices de desperdício e detritos.

Isso quer dizer que paramos no tempo quando o assunto é construção? Não! Dados da Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM) mostram que o uso da tecnologia Steel Frame no Brasil cresceu cerca de 60% nos últimos anos. Já o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou em 2024 uma pesquisa da FGV que apontou que 64,5% das empresas da construção civil no Brasil utilizam algum tipo de sistema industrializado em seus processos. Porém, isso significa que 35,5% ainda não o fazem. Fica clara a persistência por métodos tradicionais em parte significativa do setor.

Mas por que os avanços ainda são lentos? Apesar de o Steel Frame já ser normatizado e aceito por instituições financeiras, ainda existem percepções equivocadas sobre custo, resistência do mercado, falta de mão de obra qualificada e dificuldade de algumas empresas em adotar novas tecnologias.

Em um país onde o déficit de habitação foi de 5,97 milhões de domicílios em 2023, segundo o Ministério das Cidades, a não adoção de novas tecnologias resulta indiretamente em milhões de brasileiros sem acesso à moradia adequada. Até quando seguiremos ignorando os avanços tecnológicos e assistindo sentados a essa defasagem?

Modelos como o Steel Frame, por exemplo, têm se consolidado como uma alternativa inovadora, eficiente e sustentável. A técnica possui componentes pré-fabricados e processos industriais para substituir diversas etapas da construção em campo. Essa mudança transforma o canteiro de obras em uma linha de montagem organizada, reduzindo prazos, minimizando perdas e elevando a qualidade final das edificações. A precisão fabril traz controle, eficiência e confiabilidade ao processo.

O ponto mais positivo é que os clientes já entendem o verdadeiro avanço que esse tipo de tecnologia proporciona. Em 2024, uma pesquisa nacional, realizada com compradores de casas em steel frame pelo Sinduscon-RS revelou que 35% dos respondentes optaram pelo steel frame principalmente por maior agilidade de obra e 30% disseram que a tecnologia e inovação motivaram a escolha.

Agora, é preciso escalar esses números. Está na hora de deixar as tradições guardadas para memórias afetivas e receitas de bolo, e permitir que a tecnologia ganhe o mercado da construção de uma vez por todas. Só assim conseguiremos evoluir também no âmbito social.

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