Opinião
Ipioca e Floriano
Tenho como leitura nos dias atuais a vida de Floriano Peixoto. Menino pobre, nascido em Ipioca, cujos pais foram geradores de uma numerosa prole, foi dado por estes para um tio, que o criou em melhores condições financeiras. Levado por um destino e com o esforço próprio, Floriano Peixoto chegou às fileiras do Exército. Teve seu momento de glória na campanha da Guerra do Paraguai, onde se destacou como líder e guerreiro. Nos movimentos que anteciparam a Proclamação da República, teve comportamento de cautela e disciplina baseado no pré-suposto de que, entre a obediência, a hierarquia, a fidelidade ao regime monárquico e as tendências no mundo, permaneceu neutro, observando os acontecimentos até seu desenlace. A história o levou a caminhar, com Marechal Deodoro da Fonseca, vice-presidente da nova República, por terrenos incertos, e muitas vezes tumultuados, no desenrolar dos acontecimentos até a renúncia do titular e sua ascensão ao poder. Foi um período de turbulência na vida do País em que procurou o equilíbrio das decisões, sempre buscando a manutenção da Federação. Enquanto me debruço sobre o livro, as lembranças de um tempo que passou e o presente do qual participo estão no mesmo lugar de seu nascimento: Ipioca. Neste lugar, caminho pelas praias de rara beleza, emolduradas por ricos coqueirais, seus arrecifes, suas piscinas naturais e o alto da aldeia com sua igreja dedicada a Nossa Senhora do Ó, de bela arquitetura barroca, que se projeta grandiosa no tamanho de seus vizinhos. O Alto de Ipioca é, sem dúvidas, um sítio onde a história aconteceu. Tal patrimônio encontra-se esquecido, bradando pelo reconhecimento e pela memória daquele que foi o nome que marcou a história deste País. Estamos no limiar de uma nova fase para a aldeia de Ipioca, oficialmente Floriano Peixoto. Surge um novo destino turístico para o nosso Estado. Suas praias, os empreendimentos hoteleiros, seus restaurantes com uma gastronomia peculiar, os condomínios, as vivendas à beira-mar, e a proximidade com a capital, tudo isso conspira para uma Ipojuca de Nossa Senhora do Ó, que gerou Porto de Galinhas, no vizinho Estado de Pernambuco. (*) É engenheiro.