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OMS

A gripe e a vacina

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a pandemia de Covid-19, que matou mais de 700 mil pessoas só no Brasil, causou mais de 15 milhões de mortes no mundo. Apenas uma das epidemias de gripe, a maior delas, a Gripe Espanhola (1918-1919), segundo a mesma OMS, matou 21 milhões de pessoas no mundo, muito mais do que a Covid-19.

O mês de março se aproxima do final, e o início da vacinação contra a gripe (influenza) também se aproxima. Afinal, vale a pena se vacinar? A gripe é uma doença altamente infecciosa, transmitida pelo ar, com importante impacto epidemiológico e social; epidemias e pandemias de gripe ocorrem desde a antiguidade, causando dezenas de milhões de mortes. Cem anos após o primeiro isolamento desse vírus, as vacinas utilizadas representam uma importante estratégia de prevenção, e as formulações atuais apresentam bons perfis de segurança e tolerabilidade.

A primeira pandemia/epidemia mundial que inequivocamente se encaixa na descrição de gripe surgiu em 1580, começando na Ásia e na Rússia e se espalhando para a Europa por meio da Ásia Menor e do noroeste da África.

Acadêmicos e historiadores, em sua maioria, acreditam que a gripe chegou às Américas com os colonizadores; entretanto, debatem se a doença já estava presente no Novo Mundo ou se foi trazida por porcos contaminados transportados em navios. Alguns textos astecas falam de um surto de “catarro pestilento” entre 1450 e 1456, em uma área que hoje corresponde ao México.

No final do século XIX, a etiologia (origem) dessa doença ainda não havia sido bem esclarecida. Acreditava-se que a enfermidade, denominada “catarro de inverno”, era causada por bactérias (a chamada hipótese bacteriana), como pneumococo, estreptococo ou Haemophilus influenzae, este também chamado Bacillus influenzae ou bacilo de Pfeiffer, em homenagem a Richard Pfeiffer (1858-1945), que o descreveu durante a epidemia de gripe de 1889-1892. A história mostra a agressividade da gripe antes do uso das vacinas.

As mutações recorrentes das cepas da gripe motivaram a recente introdução de uma vacina quadrivalente inativada. Em um futuro próximo, a pesquisa científica se empenhará em produzir uma vacina universal, de longa duração, contendo um antígeno que ofereça proteção contra todas as cepas do vírus influenza. Por enquanto, a vacinação ainda precisa ser anual.

As vacinas atuais são o resultado de décadas de estudos em grandes laboratórios e, em sua maioria, são compostas por vírus inativados. A vacinação contra a gripe (influenza) tem dois objetivos principais: (1) proteger contra a doença e (2) alcançar uma alta taxa de imunização da população, de modo a garantir proteção também para aqueles que não se vacinam. As vacinas ofertadas pelo SUS (a trivalente) são eficientes e seguras. Já houve épocas sem vacinas, quando a gripe dizimava populações; seria um crime permitir o retorno a esse período de ausência de ciência, uma era de trevas. A Terra é redonda. Se existissem vacinas na época da Gripe Espanhola, a maioria das mortes teria sido evitada.

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