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Opinião

Ecos da crise

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Em sua ação no Brasil a crise globalizada se anuncia menor que a onda demolidora que castigou boa parte do mundo. Embora de menores proporções, não é, porém, a marolinha sonhada. E, malgrado as respostas positivas dadas pela economia, não há como se baixar a guarda, nem descartar os salva-vidas. Numerólogos de plantão arriscam a previsão de uma queda no Fundo de Participação dos Municípios numa faixa de 13% de baque, depois de uma previsão ainda mais sombria (chegou a ser especulada uma perda de 20%). A confirmação desses prognósticos negativos causa grandes dificuldades aos municípios e, por tabela, aos Estados. A redução do caixa público é um fantasma que atemoriza a todos por razões óbvias. Neste cenário, certos segmentos seguem tapando os olhos para a necessidade de enxugar de seus orçamentos, adequando os projetos de execução mais imediata à realidade da economia. E a confusão entre realidade e sonho se torna mais tenebrosa quando se trata dos poderes públicos, onde muitos imaginam que manifestações de protestos teriam o poder de exorcizar os maus espíritos do aperto dos cintos. Especialmente no tocante ao funcionalismo público, essa ilusão parece crescer a cada informação acerca dos problemas da crise. Como se o espectro do atraso dos salários pudesse ser afastado no grito. E, o pior: muitos gestores públicos parecem ignorar a gravidade do problema e seguem desdenhando a necessidade de investimentos produtivos. A totalidade dos municípios alagoanos depende, além da conta, dos repasses federais. Toda retração que possa acometer o fluxo de recursos oriundos de Brasília representa o caos, choro e ranger de dentes. E, com ou sem protestos, a economia não está crescendo conforme o desejado. É hora, portanto, de ajustar o desejo à realidade, sob pena de temíveis consequências.

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