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Opinião

A caridade na verdade

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O Santo Padre Bento XVI acaba de escrever sua terceira encíclica. Depois da ?Deus é Amor? (Deus caritas est) e da ?Salvos na Esperança? (Spe Salvi), agora um documento que trata de questões ligadas à vida social: trata-se da Encíclica ?A Caridade na Verdade? (Caritas in Veritate). O papa escreve num momento de crise econômica, social, moral e ecológica. Fundamentalmente, o que propõe Bento XVI? Uma reflexão sobre o desenvolvimento integral do homem. O tema é importantíssimo! Num mundo dominado pela ideia de progresso, de bem-estar e de tecnologia, é indispensável perguntar sobre em que consiste o verdadeiro progresso, o que realmente faz o homem ser mais humano, o que traz felicidade para a humanidade... Por ser vigária de Cristo, único Senhor da história e da criação, é preocupação da Igreja contribuir na construção de um mundo mais digno. Eis algumas ideias básicas para compreender este Documento do Santo Padre. (1) O desenvolvimento humano deve ser integral, isto é, deve atingir o homem todo e todo homem. É verdadeiro progresso aquilo que faz o homem mais humano. Então, um progresso digno do homem deve ser religioso, ético, econômico, social. Um progresso assim é fruto de relações justas entre as pessoas e as sociedades e de uma sincera preocupação com o bem comum. (2) O verdadeiro progresso é aquele que decorre da caridade (isto é, do amor, que engloba e supera a simples justiça) e da verdade (quer dizer, daquela reta concepção sobre o homem, mundo, a vida). Portanto, o amor na verdade, verdade amorosa. Se pensarmos bem esta percepção é urgente para o nosso mundo. (3) Em toda a sua tessitura a Carta procura articular caridade (amor), verdade, justiça e progresso. É da conjugação dessas realidades que pode nascer a solução para os grandes desafios da sociedade humana atual. (4) A Igreja não tem competência técnica para oferecer soluções para o mundo atual e muito menos pode impor o que quer que seja; mas, valendo-se da revelação divina e da própria razão humana iluminada pela fé em Cristo, ela pode e deve elaborar sempre uma doutrina social que interpele as consciências e indique à sociedade humana as grandes linhas éticas que balizem uma humanidade e um mundo segundo o coração de Deus. Sendo assim, não somente os católicos, mas todos os homens de boa vontade ? sobretudo os que têm responsabilidade mais direta pela construção da sociedade ? são convidados a ler este importante documento de Bento XVI. (*) É bispo auxiliar de Aracaju.

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