Opinião
Aos 60, com amor e sexo
No filme que fez muito sucesso de público e de crítica, Benjamim Button ? inclusive levando alguns oscars ? (Brad Pitt) nasce velho e encarquilhado e com o tempo vai ficando mais novo até terminar os seus dias um bebê chorão nos braços da namorada de toda a vida, então uma matrona, que como qualquer outra pessoa normal envelhecera enquanto Button ficara mais novo e nem por isso atingira a fonte da juventude. Na primeira metade do século passado, no Brasil a expectativa de vida era de 28,7 anos. O percentual de maiores de 60 anos era de apenas 1.8% da população. Em 1950, ano da Copa do Mundo, no Brasil a expectativa de vida era de 33,7 anos. Em 1990 ainda era de 50,9; todavia, em 1995 deu um salto para 66,25 anos e para 2020, se espera que alcance os 77,08 anos. Neste período o percentual da população de 60 anos subirá de 5% em 1960 para 13% em 2020. Viver mais todo mundo quer, mas sem qualidade de vida, não se justifica. O envelhecimento é um ?processo? complexo, que soma um conjunto de alterações psicofísicas que mexem no organismo e na cabeça das pessoas. Tão importante como indispensável é que os que chegam aos 60 mantenham não só o relacionamento social, que inclui a prática de esportes e o lazer, mas principalmente a oportunidade de amar, ser amado e praticar o sexo. Sim, o sexo na terceira idade pode até ser praticado com menos frequência, mas compensado com mais qualidade. Benjamim Button foi o único até agora que nasceu velho, morreu jovem e isto é pura fantasia. Todos nós envelhecemos (pelo menos organicamente, muitos nunca amadurecem mentalmente) e por mais que isto pareça apetitoso, a fonte da juventude é uma das maiores utopias da história. A capacidade funcional e o desempenho em geral sofrem uma evolução durante a infância, atingem o auge entre o término da adolescência e os 30 anos de idade, portanto, fisiologicamente, o indivíduo já entra em declínio a partir dos 30 anos e já poderia então ser incluído na terceira idade. Três alagoanos entre tantos outros chegam bem e com dignidade aos sessenta; a professora Tereza Vasco, que comemorou com o lançamento de um extraordinário livro de receitas caseiras; o engenheiro perfurador Abel Galindo; e o médico José Wanderley, que leva para a política a sua boa experiência na Medicina. Eles podem se animar, afinal, mesmo no Nordeste brasileiro, a expectativa de vida para quem chega aos 60 atualmente, é de 19,4 anos, o que me parece bastante razoável. (*) É médico e professor da Uncisal.