Editorial
Efeitos concretos
Criado em 2024 pelo governo federal, a partir de uma experiência bem-sucedida em Alagoas, o Pé-de-Meia chega ao seu segundo ano com resultados que reposicionam o debate sobre políticas públicas para o ensino médio no Brasil. Em um cenário historicamente marcado por altos índices de evasão, o programa demonstra que incentivos bem estruturados podem produzir efeitos concretos e mensuráveis.
A redução da taxa de abandono escolar, de 6,4% em 2022 para 3,6% em 2024, uma queda de 43%, não é um dado trivial. Trata-se de um avanço expressivo em um dos principais gargalos da educação brasileira, especialmente entre jovens de baixa renda. Ao atrelar apoio financeiro à permanência na escola, o programa atua diretamente sobre um dos fatores mais críticos para a evasão: a necessidade de ingressar precocemente no mercado de trabalho.
A diminuição da reprovação em 33% e a queda de 27,5% na distorção idade-série entre 2022 e 2025 indicam que a permanência do aluno na escola vem acompanhada de maior regularidade no percurso educacional. Em outras palavras, não se trata apenas de manter o estudante matriculado, mas de favorecer sua progressão.
O desafio, agora, será consolidar os avanços, ampliar o alcance e garantir que a melhoria dos indicadores se traduza, de fato, em aprendizagem de qualidade.