Opinião
Custos ambientais
Pelos estudos recentes de uma entidade chamada Fórum Humanitário Mundial, que se destaca no oceano de siglas ?ONG? pelo fato de ser liderada por Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU, ?os custos econômico e humano da mudança climática? estariam em torno da cifra de US$ 125 bilhões anuais, ao mesmo tempo no qual ceifa 300 mil vidas em todo mundo. Apesar do aumento da onda globalizada de conscientização ambiental, continuam sendo escandalosamente tímidas as medidas governamentais para o correto enfrentamento da secular política de desenvolvimento à custa de pesados danos à Natureza. Malgrado as promessas governamentais, nada parece indicar mudanças de curso no velho caminho do crescimento econômico em detrimento do meio ambiente (em conjugação com o crescimento dos problemas sociais). Encorajados pela posição dos Estados Unidos, que obsta quaisquer acordos mundiais que venham a reduzir significativamente a contribuição ianque para a deterioração ambiental (especialmente em tempo de crise, como convencer os americanos a diminuírem suas emissões industriais?), os chamados países em desenvolvimento desfraldam suas bandeiras de ?direito ao crescimento econômico? e, apesar de, em alguns casos, tentarem dourar a pílula, não abrem mão do receituário de tornarem-se fortes enfraquecendo a Natureza. Nesse universo, os chamados Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) fazem ouvidos de mercador e, de olho nas ancestrais vias (poluidoras) de desenvolvimento trilhadas pelo chamado primeiro mundo, pisam dada vez mais fundo seus aceleradores, tentando recuperar o tempo perdido. E, daí, voltamos ao alerta dado pela instituição dirigida por Kofi Annan e perguntamos: o que as grandes economias mundiais, principais responsáveis por este estado de coisas, tem a dizer sobre essa tragédia em curso?