Opinião
Manoel Zelaya
Não me agradam os golpes de Estado nem tão pouco as ditaduras. A democracia é a forma correta de governo. Garante a liberdade, a igualdade do povo e o seu poder. Porém permite certos abusos quando os políticos são irresponsáveis e a usam para direitos escusos que ferem suas normas. Isto está acontecendo constantemente, na América Latina. Os políticos se aproveitam de seus mandatos privilegiados para praticarem a corrupção. Os presidentes compram as câmaras e o povo em troca de votos nas eleições ou para burlar a Constituição, emitindo Medidas Provisórias. Têm sido constantes, às vezes tão descabidas que nos deixam pasmos. As ditaduras militares não existem; porém para se perpetuarem no poder, ultimamente, os presidentes resolvem fazer plebiscitos que lhes garantam a continuação indefinidamente no governo, o que não difere das ditaduras costumeiras nas Américas. Aí instalados começam a agir como esquerdistas radicais contra a democracia, fazendo o que bem entendem. Isto já aconteceu na Venezuela, na Bolívia, no Equador e agora seria a vez de Honduras. Então, foi necessário o golpe dado pelos militares. A manobra é a mesma. No Brasil salvamo-nos de nos tornarmos uma nova Cuba e caímos numa ditadura militar em 1964. Houve perseguições e castigos, a maioria contra àqueles que eram hostis ao governo militar. As ditaduras são sempre assim: em primeiro lugar cerceam as liberdades, não admitem quem seja contra. Em Cuba, na Rússia, na China e em outros lugares em que o poder é ditatorial, quantos milhares de opositores ao regime foram fuzilados no paredão? Antes de Fidel Castro sair do governo, 68 pessoas foram condenadas à morte. E não se tornaram modelos de países: povo pobre, infeliz, sem liberdade. Aqui até ao gal. Geizel tivemos uma Nação próspera, porém rígida. O último presidente militar foi fraco, mas felizmente entregou o País à democracia sem derramamento de sangue nas ruas. Hugo Cháves já começou a passar para o Estado tudo que pertence à iniciativa privada. As televisões acabam de ser estatizadas. Ninguém terá direito a falar verdades contra o governo. A Bolívia não respeitou nem as obras da Petrobras que concerniam ao Brasil. Manoel Zelaya queria fazer o mesmo em Honduras. Lógico que outros presidentes americanos do sul e centro namoram essa situação de permanência perpetua no poder; a custa dos tolos analfabetos que predominam em nosso continente, ludibriados pela ajuda enganosa de políticos gananciosos e irresponsáveis. (*) É escritora.