Opinião
Alvos f�ceis e falsos
Recipientes plásticos para água mineral são o mais novo bode expiatório das soluções fáceis para os dilemas ambientais. Mas, encarado superficialmente, esse alvo pode, ao ser acertado, criar ainda mais problemas. Certo está a assertiva que recipientes plásticos tradicionais, por não serem biodegradáveis, são um grande problema ambiental. Reduzir a utilização desses objetos é, portanto, uma bandeira de grande validade. Mas, além de tremular essa flâmula ecologicamente correta, é-se indispensável propor soluções viáveis para a substituição dos utilitários plásticos. Com as bolsas de compras, a coisa fica até mais fácil, pois é de bom tom ir ao supermercado com uma charmosa sacola alternativa, mas como substituir, de forma eficiente, utensílios plásticos responsáveis pela conservação de alimentos e outros bens essenciais à saúde ? produtos especialmente, e felizmente, bem aceitos pelas populações de baixa renda? Na Austrália, por exemplo, a campanha mundial contra o uso de garrafas e garrafões plásticos para acondicionar água mineral conseguiu fazer com que em uma cidade, Nova Gales do Sul, o uso desses objetos fosse radicalmente eliminado, passando a vigorar o apelo de beber água da torneira. Certamente, em Nova Gales do Sul, a água da torneira tem qualidade suficiente para substituir a água mineral, mas e no resto do mundo? Aqui, no Brasil, onde se pode engolir, sem medo, a água das torneiras? E nas muitas cidades onde não existe água tratada encanada? E no chamado terceiro mundo (na África subsaariana, por exemplo), em que torneira o pobre vai saciar sua sede, ao renegar as garrafas d?água enviadas aos milhões pelas organizações humanitárias? Que garrafas e garrafões não-biodegradáveis sejam riscados do mapa (!). Mas que a precária saúde dos pobres não seja ainda mais prejudicada por essa bandeira.