Opinião
Crescendo com vagar
Pelos números divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no primeiro semestre deste ano, no Brasil, foram criadas quase 300 mil novas vagas de trabalho. Um número imponente, mas apenas 1/3 do registrado no mesmo período do ano passado. Mais uma evidência, contundente, da virulência da crise. Divulgado ontem, o balanço do Caged informa que, de janeiro a junho deste ano surgiram 299.506 postos de trabalhos (novinhos em folha) contra 1.361.388 empregos abertos nos primeiros seis meses de 2008. Um baque e tanto. Mas podia ser bem pior, como está sendo em boa parte do mundo. Positiva ainda é a marca de que, apesar da crise, o Brasil ter conseguido emplacar o quinto mês de resultados positivos em criação de vagas no mercado de trabalho. Mas, considerando as dimensões brasileiras, os números deixam claro a grande quantidade de candidatos a trabalhadores que se amontoam, ansiosos, à espera de um lugar na cadeia produtiva brasileira. Esperando algo melhor, o governo federal procura não dar sinais de aperreio. Mas pelas expectativas anunciadas pelo Ministério do Trabalho, esperava-se, por exemplo, que junho viesse a registrar um aumento considerável de novas vagas em relação a maio, cravando, sob o calor das fogueiras juninas, algo como 136 mil novos empregos formais ? previsão externada pelo próprio presidente da República. Junho, porém, assinalou o desabrochar de 119.495 vagas em todo Brasil. Junho também registrou um desempenho industrial menor do que o desejado neste item empregatício, mas, por outro lado, a agropecuária avançou um pouco além da expectativa e feu cria a 57,2 mil postos de trabalho. Sem dúvida, está menos ruim do que poderia estar. Mas precisamos melhorar de verdade, até pelas oportunidades abertas pela própria crise. A hora é de ousar.