Opinião
O tempo preservado
Relógio mais famoso do mundo, o austero Big Ben está comemorando 150 anos de vida e trabalho. Como não poderia deixar de ser, uma apropriada festa de aniversário marca a passagem desse marcador do tempo que é um dos principais cartões-postais de Londres. Mais uma vez os britânicos dão uma demonstração de valorização do patrimônio histórico. Exemplo à mão, pergunta-se: e Maceió, ressalvadas as proporções, que tempo poderá registrar em seus relógios públicos mais emblemáticos? Resposta sem delongas: zero. Dos relógios que fizeram história por aqui, nenhum se perpetuou na condição de referência em pleno funcionamento. Tempo houve, nas primeiras décadas do século 20, onde o relógio do Ponto Central era uma das marcas iconográficas de Maceió, elegante em seu rococó de metal fundido em quatro faces, mostradores com tradicionais números romanos e ponteiros floreados. Sumiu, talvez engolido por algum ferro-velho depois do descaso humano aliado à maresia ter-lhe minado a existência. Nos anos 50, o relógio encimando a torre da caixa d?água do Mercado Público era a sensação, sem algarismos e com linhas típicas da chamada arquitetura protomoderna brasileira; hoje, queda-se parado e esquecido. E bem antes desses dois casos, certamente marcaram época em seus tempos os relógios das torres das igrejas. Mas quem se lembra de tomar-lhes as idades e de os restaurar e conservar? Isto para falar apenas na capital, mas desprezo idêntico pelo patrimônio histórico representados em ícones como os relógios públicos pode ser registrado em praticamente todos os municípios alagoanos. Uma pena. Enquanto isso, numa das cidades mais bombardeadas do mundo durante a 2ª Guerra, o majestoso Big Ben, cujas primeiras badaladas soaram a 11 de julho de 1859, esbanja saúde e segue marcando o tempo da sabedoria.