Opinião
Pedro, Lula e Dilma
A visita a Alagoas do segundo e último imperador do Brasil, D. Pedro II, há 150 anos, cunhou de forma indelével o Estado e particularmente alguns logradouros públicos. Com efeito, em Maceió, a Rua do Imperador, a Rua Dois de Dezembro e a Praça Pedro II (Praça da Assembleia ou Praça do Tesouro) são marcas da viagem do carismático monarca. Enquanto durar um certo bom senso e respeito de prefeitos e vereadores, o registro histórico estará preservado. Em Bebedouro, embora não haja monumentos ou ruas conhecidas alusivas à passagem de Pedro II, sabe-se à boca pequena que sua majestade teria aliviado disfunção intestinal aguda e inadiável num tosco cômodo improvisado à beira da lagoa. Quem sabe por isso, o bairro não consegue mudar a sorte de líder do atraso. Estando no seu segundo mandato (jurando renegar o terceiro), finalmente o presidente Lula deu o ar da graça por estas bandas. Figura rara em Alagoas, ouço dizer que o adulado estadista não cai de amores por nós. É que derrotas sucessivas teriam deixado no presidente uma espécie de complexo, um intragável ranço travoso. Bobagem. Interessado em fazer a sucessão, Lula topa qualquer parada. Em lua-de-mel com a população, esbanjando otimismo e simpatia, o presidente atrai uma multidão sequiosa, principalmente entre os carentes e na classe política, esta de olho na popularidade do homem. Desconheço se o prefeito Almeida pretende homenagear o presidente ? como se fez com Pedro II ? por exemplo, batizando a calçada da orla com o seu nome, imortalizando a meteórica visita. Desde que não seja para nomear a favela de Jaraguá, pode até fazer uma média com a ministra Dilma, a ?Mãezona? do PAC. Falando em Dilma, admiro e louvo o empenho do presidente na sua missão de transformá-la numa candidatura palatável. Certamente a obstinação não se deve a pretensas qualidades técnicas e/ou morais da candidata, admitindo que ela as possua com sobras. Tirando os políticos, no entorno presidencial restariam outros técnicos (não muitos) de igual e superior calibre. Embora repaginada, a ministra também está longe de compor um típico físico pelo menos agradável aos olhos. Ao contrário da sedutora verborréia lulista, a fala de Dilma Rousseff é enjoada, pernóstica, permeada de chavões tecnicistas, muitas vezes vazia. Além de tudo, a experiência com o câncer, segundo se comenta, azedou ainda mais o proverbial e medonho mau humor. (*) É médico e professor da Ufal.