Diagnóstico de TEA
Como lidar e por onde começar
O Abril Azul, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), reforça o aumento da busca por diagnóstico e tratamento, especialmente entre adultos. Estima-se que cerca de uma em cada 100 pessoas esteja no espectro, mas muitos recebem o diagnóstico apenas tardiamente, sobretudo aqueles com menores necessidades de suporte.
A descoberta costuma vir acompanhada de sentimentos ambivalentes. Para alguns, há alívio ao se compreenderem; para outros, surgem dúvidas. Na prática clínica, é comum que esses indivíduos relatem dificuldades no trabalho, nos relacionamentos e na saúde mental, além da sensação de inadequação, desafios na comunicação social e esgotamento emocional.
Um dos fatores associados ao diagnóstico tardio é o “mascaramento”, esforço contínuo para se adaptar a padrões sociais. Embora favoreça a integração, pode gerar altos níveis de ansiedade, depressão e burnout. A sobreposição com o TDAH e transtornos de ansiedade também contribui para atrasos na identificação do TEA.
O diagnóstico é um ponto de partida, não uma solução imediata. Ele não elimina dificuldades, mas permite compreendê-las e desenvolver estratégias mais adaptativas. O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento marcada por diferenças na comunicação, na interação social e por padrões comportamentais mais rígidos. Não se trata de incapacidade, mas de um funcionamento diferente.
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Sentimentos como alívio, confusão e insegurança fazem parte do processo. Por isso, desenvolver a autorregulação emocional é fundamental, já que dificuldades nessa área impactam diretamente a vida cotidiana e os relacionamentos.
A família também exerce papel central. Embora o sentimento de culpa seja comum, o foco deve estar no acolhimento e no suporte. Em muitos casos, familiares também precisam de acompanhamento psicológico para lidar com o impacto do diagnóstico e com os desafios do cotidiano.
Mais do que um rótulo, o diagnóstico representa um ponto de virada. A Terapia Cognitivo-Comportamental, aliada à psicoeducação, auxilia no manejo emocional, na organização da rotina e no desenvolvimento de habilidades sociais, promovendo mais qualidade de vida e segurança para os próximos passos.