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Opinião

A Casa e a Palavra

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CLÁUDIO VIEIRA * A casa, fica ela na Ladeira do Brito, antigo solar de ilustre família alagoana, hoje transformada em ?celeiro de inteligências?, expressão cunhada, se não me falha a memória, por Tobias Granja, ao referir-se ao nosso Colégio Guido de trinta e tantos anos passados, ele, o Guido, também antigo casarão situado nas proximidades de outra das nossas ladeiras maceioenses, a da Catedral. Empresto do antigo colega a singular expressão. Lembro-me da casa na minha adolescência. Já adulto, na meia-idade, vi-a denominada Casa da Palavra. Nela, jamais houvera penetrado. Faltava-me a oportunidade que me surgiu, em certo dia, quando a Lurdes Quirino e a Cláudia Amaral, ambas procuradoras de Estado como eu, convidaram-me para uma reunião a mim e a outros colegas. Fora essa a primeira e única vez que lá estivera, embora tenha de lá saído cativado pelo ambiente agradável, o bom gosto dos tons e dos adereços. Este mês, iniciando curso de pós-graduação em Direito Constitucional, o primeiro módulo ocorreu na Casa da Palavra, ministrado pelo professor Ricardo Nogueira, com quem aprendi novas coisas velhas, e passei a conhecer melhor aquela casa que, para mim, possui uma alma que lhe dá vida e graça. Apresentando-me a esse primeiro módulo, vendo a juventude dos meus colegas, confesso ter ficado em dúvida sobre o acerto do meu gesto em matricular-me em curso de pós-graduação, eu que, já aposentado, pretendo, tão-somente, advogar, acreditando que para isso nasci: ?advocati nascuntur?, já referiu Calamandrei. Não foi, porém, Aristóteles quem afirmou (Metafísica) que ?Todos os homens têm, por natureza, um desejo de conhecer (...)?? Passei, então, a sentir-me à vontade e a participar do entusiasmo daqueles jovens, alguns deles plenos de arroubos políticos, até porque a época é propícia... O professor Ricardo, fiquei a observar a sua atuação e a imaginá-lo como um aplicador da metodologia socrática de ensino, a maiêutica, o parto, no caso, intelectual. Fazia ele conosco o que o velho filósofo grego fizera aos seus discípulos: levava-nos a pensar, a raciocinar e a buscar respostas às suas e às nossas indagações. Verdades esquecidas no tempo afloraram espontâneas ou estimuladas pelo jovem mestre. Conceitos novos foram por nós absorvidos. O entusiasmo, em ambos os casos, era visível em todos. Tendo vivido os anos sessenta do Colégio Guido, quando as discussões e criações intelectuais estudantis eram a ordem do dia, recordei as sábias palavras do Padre Teófanes Barros afirmando ser o homem o único animal imperfeito na face da terra, tendo como missão aperfeiçoar-se intelectual e espiritualmente. A Casa da Palavra dá-nos essa oportunidade! (*) é advogado militante

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