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O povo � quem paga

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Durante toda sexta-feira, 17 de julho de 2009, era só desolação no semblante dos estudantes do Cepa (e de outros locais). Sem aviso, nem greve decretada, o professorado não compareceu às salas de aula. Um dia perdido na árdua batalha pelo saber. Mais um. Segundo os relatos, vários ?mestres? já haviam desaparecido do mapa no dia anterior, quinta-feira, data da assembleia que não decretou greve (e sim determinou um prazo para que o governador respondesse às reivindicações apresentadas), alguns chegaram até a dizer, aos alunos perplexos, que ?não dariam aula porque não tinham certeza se a greve teria sido decretada ou não...?, e, na dúvida, não deram aula. Na sexta, 17 de julho, dia de manifestações pelo acontecido nessa data há 12 anos, a anticidadania teve mais um momento de êxtase. Estranho modo de comemorar uma referência de um tempo de sofrimento popular: impingindo sofrimentos ao povo, especialmente a uma parcela que não pode perder mais tempo na árdua luta pela educação: o estudante da rede pública. Quem vai repor as aulas sonegadas nesses dias? Como os estudantes poderão recuperar mais este tempo perdido? E os faltosos, terão o ponto descontado? Ou o governo vai financiar mais esse descaso contra a população? Novamente, a corda estoura na parte mais fraca. Acumulando anos de prejuízo em função de greves passadas, os usuários da rede pública de educação não tem a quem pedir socorro. Dois dias perdidos para a educação pública, serão números dispersados numa conta que apenas um lado paga: o lado dos alagoanos que precisam do ensino público. No horizonte, mais prejuízos anunciam-se, como perspectiva de mais uma greve contra a educação pública ? pois, tendo sido atendidas ou não as reivindicações dos grevistas, jamais será reposto o tempo desperdiçado.

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