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Michael Jackson e a Rua das �rvores

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Uma semana depois da morte do cantor Michael Jackson, caminhando na Rua Ladislau Neto, a antiga Rua Augusta, hoje mais conhecida como Rua das Árvores, onde funciona um intenso comércio de vendedores ambulantes, presenciei em todos os pontos-de-vendas de CDs e DVDs piratas, que dispunham de equipamentos de som, algumas músicas do astro pop norte-americano sendo executadas a todo volume. Cena semelhante a que vivenciei na Rua das Árvores, certamente, ainda hoje tem sido observada em algum lugar do Brasil e do mundo, em virtude da comoção causada pela morte prematura do rei da música pop, figura excêntrica, polêmica, mas também um artista de inegável valor. Consagrado cantor, compositor e exímio dançarino, Michael Jackson, que, sem dúvida, se inspirou nos mestres Fred Astaire e James Brown para criar os passos de dança tão apreciados por seus inúmeros fãs, a exemplo de Jimy Hendrix, Elvis Presley, Fred Mercury e dos brasileiros, Cazuza, Elis Regina e Cássia Eller, foi mais um ídolo popular vítima da própria fama que ele ganhou ainda na infância, quando liderou o grupo The Jackson Five, na década de 60, época em que a Rua das Árvores, tradicional rua do Centro de Maceió, era chamada pelo bonito nome de Rua Augusta, um tranquilo logradouro residencial sem poluição sonora e visual, sem a desordem do comércio informal, sem o trânsito caótico e outros transtornos. Naquele tempo, o garoto prodígio ? o mais talentoso dos irmãos Jackson ? dono de uma bela voz e que cantava rindo, não imaginava que sofreria cruéis transformações, decorrentes da fama e do sucesso. Se for permitido comparar as modificações físicas e ?comportamentais? pelas quais passaram Michael Jackson e a Rua Augusta, conclui-se que elas foram semelhantes. As mudanças ocorridas na vida do músico, assim como as observadas na Rua Augusta, foram sem limites, malfazejas e fatais para o autor do clássico ?We are the world?, que, todavia, será sempre reverenciado e agora está livre das influências do sistema perverso e insensível. Já no caso da Rua das Árvores, lamentavelmente, ela continua sofrendo agressões e menosprezo, mas ainda poderá ser recuperada e transformada numa rua decente. Isso só depende da prefeitura municipal. (*) É advogado, membro da Comissão Alagoana de Folclore e da Academia Maceioense de Letras.

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