Opinião
Papo de comadre
Depois de dias de trabalho na preparação do Pacto Nacional pelo Enfrentamento da Violência Contra as Mulheres, que o governador do Estado assina amanhã (22 de Julho), com a presença da Ministra Nilcéia Freire da Secretaria Especial de Políticas para a Mulher, sentamos, e em companhia de um bom vinho nacional, refletimos criticamente sobre a participação da mulher nos espaços de poder. E avaliamos a constante luta que o movimento de mulheres trava ao longo da história no enfrentamento da violência e discriminação de gênero, a inserção feminina no mercado de trabalho e na participação política partidária. Muito conquistamos, mas o desafio ainda é muito grande, pois as mulheres continuam ainda sendo discriminadas na isonomia salarial, na representação política e nos órgãos decisórios de poder. E com essas indagações começamos a questionar o que vem acontecendo no Legislativo Municipal, envolvendo duas representantes das mulheres, sim, pois somos mais de 51.6% do eleitorado e contribuímos para a vitória de todas as mulheres que ocupam este Legislativo. O que nós esperamos dessas nossas representantes? Coerência política, respeito às diversidades, urbanidade na relação entre os pares, e que os conflitos gerados, naturalmente no dia-a-dia da práxis política, possam ser resolvidos pelo diálogo. Daí nossa tristeza feminista em presenciarmos o nível do debate travado na Câmara Municipal entre as vereadoras: Heloísa Helena e Tereza Nelma. O que diria Olympe de Gouges, que foi condenada ao cadafalso, sendo guilhotinada porque defendia o direito das mulheres e a sua participação na política? Nísia Floresta e Bertha Lutz, que também empreenderam no Brasil uma significativa luta pelo direito de voto para as mulheres? E Lili Lages, primeira alagoana a ocupar o parlamento na Assembleia Legislativa? E tantas outras em nossa história. Em vez das querelas, que tal a discussão versar sobre transporte coletivo em Maceió, a política de habitação para as áreas de risco, a construção de escolas nas comunidades periféricas, a situação dos/as jovens cooptados/as pelo narcotráfico, a vulnerabilidade econômica do setor informal, que envolve milhares de mulheres trabalhadoras, a aplicabilidade da Lei Maria da Penha, e tantas outras demandas da nossa sociedade. Esses são nossos desafios, como gestoras de políticas públicas e de vocês queridas companheiras no papel de legisladoras de políticas públicas. Vamos à Luta. (*) É secretária de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos.