Opinião
Preconceito e luta
Causou óbvio impacto a divulgação de ?pesquisa? apontando Maceió como a mais violenta capital brasileira. Num primeiro momento, o amor-próprio (novamente) ferido impulsionou a apresentação de ?desmentidos? e ?contestações? aos dados apresentados. O momento seguinte, porém, deveria servir para estimular um esforço para reverter, na prática, os problemas indicados, independente das suspeitas sobre manipulações nos critérios estatísticos. Duas evidências estão justapostas nesse caso: em primeiro lugar, ulula o preconceito recorrente contra Alagoas, explicitado com despudor em ?enquetes? sobre personalidades políticas locais. Em segundo lugar, é inegável a deterioração da segurança pública em todo Estado. No primeiro caso, em função da subjetividade da discriminação, pouca ou nenhuma defesa pode produzir efeito imediato; mas na segunda questão, mais importante que contestar os critérios de análise pelos quais Maceió seria mais letal que Bagdá, o melhor é trabalhar de forma redobrada no sentido de serem auferidas modificações reais na dramática realidade de violência e insegurança que flagela os alagoanos. De pouca valia será demonstrar que Maceió não ocupa a pole position no ranking do ?crime de mando?; o que interessa verdadeiramente ao povo alagoano é ser construída uma nova realidade de enfrentamento ao crime organizado. Devolver à população alagoana uma boa parcela da paz perdida deve ser o centro das preocupações dos poderes constituídos. E, neste sentido, o centro da questão não é polemizar sobre a possibilidade de manipulação nos dados da ?pesquisa? sobre violência. Ao chamar a atenção do País acerca da chaga aberta em Alagoas, o ?estudo? mereceria ser empunhado como uma bandeira de mobilização, aglutinando poderes públicos e entidades não-governamentais num esforço extraordinário no combate ao crime.