Opinião
� espera de um (bom) lar
A triste espera e o forte desejo por um lar são experiências dolorosas, podendo assemelhar-se às milhares de pessoas sem teto, que enfrentaram filas nas últimas semanas, para conseguir uma senha do programa Minha Casa, Minha Vida. Diante desta problemática, semana passada (15/07) o Senado Federal aprovou a nova Lei Nacional de Adoção. Mesmo sendo tão relevante, foi deixada em segundo plano inclusive pela mídia, já que as inúmeras trocas de acusações, alianças entre partidos e CPIs foram manchetes. Segundo o Conselho Nacional de Adoção (CNA), existe hoje no País mais de 80 mil crianças em abrigos, mais de 22 mil pais cadastrados para darem um lar a uma delas, porém, menos de 4 mil aptas à adoção. A nova lei visa agilizar os processos, mas não leva em conta um agravante desconhecido por muitos: o despreparo dos potenciais ?pais?. Quando se projeta uma ideia ou expectativa sem conhecer a realidade, provavelmente haverá decepção, devolução ou segundo abandono. Falsas perspectivas destroem qualquer relação humana e, neste caso, desenvolvem ainda mais traumas às crianças, que já vivem abaladas. Decepcionar-se e devolvê-las aponta para um despreparo e falta de objetivo, transformando-as em um produto. A espera por um lar angustia e traz a sensação de vazio, abandono e desamor. A Bíblia aponta para toda a humanidade estar nesta situação: ?Gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos? (Romanos 8.23). Independente da condição em que crianças nasçam, com famílias estruturadas ou não, ainda assim são órfãs de Deus. Adoções podem ser cercadas de histórias de fracassos e vitórias, agilidade ou demora, realizações e decepções, quando administradas pelas nossas humanas decisões. Deus sabe o quanto a espera por um lar dói e machuca. Por isso no tempo certo enviou Jesus, a fim de adotar a todos como seus herdeiros e família (Gálatas 4.4,5). Assim, o Batismo é o meio com que Ele se utiliza para selar suas promessas através do Salvador Jesus (1ª Pedro 3.21). ?Será que uma mãe pode esquecer o seu bebê? Será que pode deixar de amar o seu próprio filho? Mesmo que isso acontecesse, eu nunca esqueceria vocês?. (Isaías 49.15). Não baseie sua adoção em falsas perspectivas, elas lhe levarão a decepção. O projeto de Deus continua em pé, ultrapassa nossos limites e vontades, é utopia aos que ainda estão na fila (loucura para alguns, escândalos para outros - 1ª Coríntios 1.23). (*) É teólogo e pastor da Igreja Luterana em Maceió.