Opinião
Pugilato intestino
Enquanto Maceió amarga o opróbrio de ver-se situada como a capital mais violenta do País, autoridades policiais engalfinham-se em público, deixando atônita (e assustada) a opinião pública. Num canto do ringue, policiais concursados são acusados de prevaricação e detidos; noutro corner o comando da Polícia Civil é acusado como tendo cometido um rosário de pecados. E os bandidos, e o crime organizado, os traficantes, quem os está combatendo? Neste momento, pela virulência das argumentações (acusações diretas e indiretas), as energias de parte da polícia parecem estar sendo aplicadas inter corporis, direcionadas de grupo contra grupo. O mais estarrecedor neste pugilato aberto ao público é que a polêmica deixa de se concentrar na necessidade de ser dar o melhor combate ao banditismo. O centro do debate passa a ser a desavença interna à corporação policial. E, justiça seja feita, essas desavenças são de alto calibre. Pelo andar da carruagem fica evidente a falta de autoridade necessária para enquadrar todas as facções da Defesa Social. A radicalizada partidarização dos discursos deixa claro que estamos presenciando uma disputa entre grupos expressivos, quase formais, aquartelados em torno de seus líderes e dispostos a movimentações em conjunto, evitando ações de indivíduos isolados. Pena que toda essa organização e disposição para o confronto não estejam sendo apontadas para o crime organizado, e sim direcionadas para o próprio âmago. Felizes com essa batalha intestina devem estar os criminosos. Cada átimo empregado nessa contenda é um momento liberticida a mais depositado na conta do crime organizado em Alagoas. Infelizmente, a peleja no interior da polícia tende a se radicalizar, daí ser necessário um apelo dramático da cidadania aos policiais: ?Pelo amor de Deus, vão brigar com os bandidos!?.