Opinião
Professores em depress�o
Através de uma série de artigos do jornalista Maurício Gonçalves, a edição da GA de 19/7/2009 trouxe à baila um problema de alta relevância cuja solução, ainda que parcial, requer esforços especiais. Trata-se do elevado índice de professores estressados que adoecem e, em consequência disto, ficam severamente impedidos do exercício da profissão. Esses professores recorrem a licenças para tratamento de saúde. A pergunta evidente é: qual a causa, ou melhor, quais as causas deste problema? Antes de emitir um parecer sobre o assunto gostaríamos de enfatizar a sua enorme importância que, sem dúvida, constitui sério agravante de uma situação educacional já complexa. Devemos adiantar também que este não é um problema isolado; ele, de fato, constitui um dos aspectos de nossa tragédia educacional. Uma primeira causa é a dificuldade que um professor tem em fazer fluir a sua criatividade, seja pela camisa-de-força de um programa rígido, de um cronograma inflexível e de um regime de trabalho que o faz pular de um estabelecimento a outro de ensino em busca de um salário minimamente condizente, o que por si só, ainda que não haja qualquer perseguição contra ele, inclusive ameaças por gangues de delinquentes, já é bem estressante. Uma segunda causa é ainda o bloqueio de sua criatividade agravado pela tirania de eventuais chefes, alguns dos quais menos qualificados que os seus subordinados, e cuja habilidade única que possuem, além de um apetite ávido pelo mando a qualquer custo, é o exercício da inveja, da perseguição e da opressão; tudo isso é inserido em um contexto em que aqueles que ousam alcançar as autonomias, intelectual e política, são impiedosamente perseguidos, enquanto áulicos e subservientes, e quase sempre pouco competentes, são escandalosamente protegidos; decerto, há também professores relapsos e aproveitadores, mas esses não deveriam ser sequer professores. Uma terceira causa, ligada às precedentemente apontadas, é a dificuldade que eles têm em conseguir afastamento para qualificação (cursar uma pós-graduação, por exemplo). Imaginemos a tensão não-construtiva de um quadro do gênero! Em suma, é a primazia do autoritarismo, e não da autoridade, e é bom que não confundamos coisas tão diferentes quanto autoritarismo e autoridade. É o descaso do mérito. Perguntemos, pois: o que faz com que alguns professores deprimidos queiram se aposentar ainda quarentões enquanto outros entusiastas com quase setenta lamentem a proximidade da compulsória? (*) É doutor, em Física Teórica pela ETH, Zurique, Suíça e professor da Ufal.