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Opinião

Um novo modo de conhecer

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Na sua Segunda Epístola aos Coríntios, São Paulo apóstolo afirma que o cristão já não conhece ninguém segundo a carne. Isto porque, conhecendo o Cristo ressuscitado, o discípulo de Jesus tem agora uma nova perspectiva a respeito dos outros, do mundo e da vida; uma perspectiva que ultrapassa o simples nível da razão humana com suas razões: é em Cristo e a partir de Cristo que ele avalia e interpreta todas as coisas. Numa palavra mais técnica: Cristo torna-se a chave hermenêutica da vida e da realidade. ?Carne?, neste contexto paulino, significa precisamente a natureza humana no seu nível simplesmente racional, natureza que, em Jesus Cristo, não é negada ou subvalorizada, mas assumida, ultrapassada e também plenificada. Digo isto pensando no que escreveu o Santo Padre Bento XVI em sua última encíclica, ao falar do desenvolvimento ? esta palavra tão em moda nos nossos dias. O papa afirma que o desenvolvimento é uma vocação do homem: ?Nos desígnios de Deus, cada homem é chamado a desenvolver-se, porque toda a vida é vocação?. Mas, ?dizer que o desenvolvimento é vocação equivale a reconhecer, por um lado, que o mesmo nasce de um apelo transcendente e, por outro, que é incapaz por si mesmo de atribuir-se o próprio significado último. Não há verdadeiro humanismo senão o aberto ao absoluto, reconhecendo uma vocação que exprime a ideia exata do que é a vida humana?. Em outras palavras: o desenvolvimento é bom, o progresso é bom, mas somente construirá o homem se tiver um sentido, um significado; e esse sentido o homem não pode descobri-lo a não ser abrindo-se para Deus, o absoluto. E o cristão sabe que o deus verdadeiro falou ao homem e a ele se revelou em Cristo Jesus. Quando nos abrimos a Cristo, já não conhecemos o homem somente segundo a carne (no nível das ciências humanas), mas numa dimensão muito mais profunda ? aquela de filho de Deus, chamado à eternidade. Pensando bem, tal perspectiva, levada a sério, é capaz de transformar o mundo e dar um novo sentido à nossa civilização atual. Já não se ficaria preso ao progresso pelo progresso ou à tecnologia pela tecnologia e nem mesmo ao homem pelo homem; mas tudo seria colocado em função do homem, e o homem compreendido como abertura sedenta e ansiosa para Deus, o único que preenche de sentido toda existência! (*) É arcebispo auxiliar de Aracaju.

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