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Opinião

Poder, sexo e fam�lia

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Como diria nosso preclaro presidente Lula, o poder embriaga. Berlusconi, o polêmico líder italiano, depois de vários escândalos e outro tanto de fotos e diálogos calientes, finalmente abriu o bico e resolveu dizer o que todos já suspeitavam: que os italianos saibam que ele (Berlusconi) não é perfeito, é um pecador recorrente, incorrigível como todos os viventes. Na lista de descalabros sexuais, além dos sussurros de pedofilia, uma monumental suruba organizada por celebrada prostituta de luxo. Rico, poderoso, com o charme do idioma italiano e o sangue quente latino, fazer o quê? Mais discreto, como convém a um religioso, o licenciado bispo Lugo, presidente do Paraguai, colecionou rosários de mentes, corações e, certamente, outros departamentos anatômicos de apaixonadas paroquianas. Portador de indomável instinto paternal, cheio de filhos, consta, como seu colega italiano, formal pedido de desculpas ao público e presumíveis sucessivos apelos de perdão a Deus. Ninguém sabe se há arrependimentos, muito menos se efetivamente foi perdoado (Deus é bom, mas não é bobo). O lado positivo dos sorrateiros mergulhos episcopais, segundo alguns, é que o ardente bispo resgata aquela velha e boa arquitetura do prelado heterossexual, garanhão, imagem de certa forma desgastada com as múltiplas denúncias de pederastia no seio da Igreja. O fato é que o poder não só embriaga, mas seduz. Nessa quadra, os americanos dão show de bola. Tido como um dos melhores, o charmoso John Kennedy fez escola. Na realidade, a Casa Branca já exalava desconforto com suposto lesbianismo da esposa do presidente Roosevelt. Bill Clinton foi aluno aplicado. O requinte do charuto, impregnado de Mônica Lewinsky, sendo baforado com indisfarçável prazer, é uma cena que instiga o imaginário de todos os povos. Modestamente, nosso Brasil já contribui de forma muito positiva para energizar a mitologia sexual política do planeta. Nesse aspecto, o clã Sarney, bola da vez do noticiário nacional, é muito reservado, pelo menos entre os homens. O patriarca Sarney (como Lula), por exemplo, embora longe do paradigma de ?pegador? ? assim como de patriota e cidadão ? como chefe de família é insuperável. Nos telefonemas grampeados, ao empenhar-se em cavar uma sinecura para o namorado da netinha, ficou clara a extensão do seu compromisso com os parentes. Mas, o mais comovente de tudo foi o tradicional cumprimento do filho. ?Benção, papai...?. (*) É médico e professor da Ufal.

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