MEMÓRIA
Categoria dos homens eternos
Em Nova Delhi, em visita ao memorial erguido em homenagem a Mahatma Gandhi, justo no local onde foi assassinado, há um painel, escrito em vários idiomas, com os seguintes dizeres, os quais copiei para sempre lembrar: “Talentos surgem de tempos em tempos. Gênios aparecem em raras ocasiões. Mas homens que transformam excelência em exemplo pertencem a outra categoria: a dos eternos.”
Recentemente, o Brasil perdeu Oscar Schmidt. Sem jamais querer compará-lo ao mártir indiano, imaginei que há criaturas que não atravessam o mundo apenas com passos: deixam rastros de luz. São pessoas cuja presença inspira, não somente pelo que conquistam, mas pela nobreza com que se movem entre os demais.
Em tempos em que tantos recebem a chance de construir algo grandioso e, no entanto, se perdem nos espelhos da própria vaidade, a partida de certas criaturas torna o silêncio mais pesado. O Brasil, tão necessitado de exemplos, tornou-se mais pobre com a ausência de Oscar Schmidt, o eterno Mão Santa, gigante das quadras e da esperança.
Filho do chão potiguar, fez da bola extensão da alma e do sonho uma morada permanente. Ensinou que o impossível é apenas uma palavra tímida diante da coragem. Repetia, com a força dos que sabem o que dizem, que era preciso acreditar, insistir, preparar-se e seguir adiante, mesmo quando o horizonte parecia fechado.
Porque a verdadeira vitória nem sempre mora no placar. Às vezes, ela se esconde no suor derramado, na honestidade mantida, na dignidade preservada e no amor absoluto por aquilo que se faz. Há derrotas mais belas que muitos triunfos, quando enfrentadas com honra e coração inteiro.
Há nomes que morrem com seus donos. Outros, porém, tornam-se verbo, exemplo, referência. O nome de Oscar Schmidt seguirá sendo pronunciado como quem acende uma chama.
Será contado aos mais novos, repetido entre amigos, lembrado nas arquibancadas da memória nacional. E talvez seja também copiado, não no movimento exato do arremesso, impossível de reproduzir em sua essência, mas na postura diante da vida: acreditar, lutar, persistir, respeitar.