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N�o � intoler�ncia

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Não é fato de somenos importância a denúncia de religiosos afrobrasileiros dando conta de perseguições e achaques sofridos por parte de supostos policiais em seus locais de culto. Respeito à diversidade espiritual e à plena liberdade de culto é um dos pilares da democracia real e, especialmente nos dias em curso, a intolerância religiosa tem se reafirmado como uma das chagas abertas do mundo contemporâneo, uma porta escancarada por onde tem fluído os espíritos mais pecaminosos e inimigos da paz e da harmonia humana. Em Alagoas, muito especialmente, esse tipo de incursão aos chamados ?terreiros? tem execráveis antecedentes históricos, quando dos sangrentos episódios deflagrados a partir da ?queda da oligarquia Malta?, em 1912, quando grupos de celerados (com participação de membros da polícia de então) passaram a praticar o terror sistemático contra a prática e os praticantes dos cultos afrobrasileiros. Nunca é demais lembrar que o ?quebra? uniu intolerância religiosa, preconceito, violência e oportunismo político em ações tão indignas quanto as praticadas pela famigerada organização racista/terrorista americana Ku Klux Kan, especializada em perseguir e praticar violências inomináveis contra negros (mais ativa no Sul dos Estados Unidos). A simples suspeita do ressurgimento desse espírito intolerante deve provocar reações imediatas nos poderes constituídos. É necessário se eliminar no nascedouro esse monstro da anticidadania. Tal missão não se restringe ao comando policial. É-se necessário ampliar a atenção para que outros grupamentos (como outras correntes religiosas) não se sintam estimulados a liberarem seus piores instintos e decidam, além de rotular outros cultos como ?demoníacos?, partirem para ?exorcismos? condenáveis sobre todos os pontos de vista. A intolerância não pode prosperar.

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