Opinião
Pressupostos para o Ano Sacerdotal
Continuamos pensando na celebração da Eucaristia, como mistério fundante da vida ministerial, no sacerdócio único de Cristo! Este alimento da santidade é também sustento perene para a missão assumida, consciente dos grandes desafios do momento presente, sobretudo na transmissão da fé em linguagem capaz de tocar e transformar os corações de homens e mulheres de nosso tempo, levando-os a fazer uma verdadeira experiência de Jesus e do Evangelho. A humildade, a valentia e a capacidade de oblação são condições fundamentais para enfrentar os riscos da missão, mesmo quando preciso for nadar contra a corrente para ser servo de todos no zelo e na caridade. ?A caridade de Cristo estimula, incita-nos a correr e voar com as asas do santo zelo. Quem ama a Deus de verdade, também ama o próximo; o verdadeiro zeloso é o mesmo que ama, mas em grau maior conforme o grau de amor; quanto arde o amor mais é impelido pelo zelo. Se alguém não tem zelo, testemunha com isso que em seu coração o amor, a caridade se extinguiu. Quem tem zelo, deseja e faz as maiores coisas e se esforça para que Deus seja sempre mais conhecido, amado e servido nesta e na outra vida, já que este amor sagrado não tem fim? (Santo Antonio Maria Claret ? L?Egoismo vinto). Em atitude humilde diante da responsabilidade do Ministério, o pastor questiona-se: ?Que retribuirei ao Senhor por tudo quanto me concedeu? (Sl 115,12). Se eu disser que retribuo por apascentar suas ovelhas, também isto faço, não eu, mas a graça de Deus comigo (1Cor 15,10). Onde então serei retribuidor, se em toda parte me antecipam? No entanto, porque amamos gratuitamente, porque pastoreamos as ovelhas, queremos a paga. Como se fará isto? Como podem combinar-se? Amo gratuitamente para apascentar, e: peço a recompensa porque apascento? De modo nenhum! De modo nenhum pediria o pagamento daquele que é amado gratuitamente, a não ser porque o pagamento é aquele mesmo que é amado. Se retribuímos a quem nos remiu, apascentando suas ovelhas, que retribuição lhe daremos por nos ter tornado pastores? Pois maus pastores, livre-nos Deus, infelizmente o somos; bons, valha-nos Deus, só o podemos com a sua graça. Por isto também a vós, meus irmãos, prevenimos e rogamos a que não recebais em vão a graça de Deus (2Cor 6,1). Tornai frutuoso nosso ministério. Sois plantação de Deus (1Cor 3,9). Recebei de fora quem planta e quem rega; por dentro, aquele que dá o incremento. Ajudai-nos não só rezando, mas obedecendo; para que nos maravilhe não tanto estar à vossa frente quanto o vos ser útil. (Santo Agostinho ? Sermão 340). (*) É arcebispo metropolitano de Maceió e membro da Ordem Carmelita.