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Opinião

A m�sica e a vida

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A música é uma das manifestações culturais mais marcantes do ser humano. Fenômeno universal, não há na atualidade uma única civilização que não domine e cultue sua própria musicalidade. Esse fenômeno, a arte de combinar sons e silêncios, é explicada por alguns especialistas como formada de melodia, harmonia e ritmo, sendo que cada um desses atributos mantém sua ligação especial com os seres humanos. A melodia, segundo eles, interage com os sentimentos; a harmonia, com o intelecto; e o ritmo, com os sinais vitais (batimentos cardíacos e pulsação). Para mim, um leigo na arte de tocar instrumentos musicais, mas apaixonado pela música, tenho grande respeito a essa explicação, pois consigo perceber a interação desses elementos com o ser humano. Para se perceber isto, basta que analisemos como uma melodia pode nos transportar para lembranças de um determinado passado nos trazendo cenas vivas daquela situação. Outro exemplo é o desconforto ou mesmo excitação trazida por uma música mais agitada ao se interagir com esses sinais. Reconheço a importância da música na vida humana como um elemento de humanização, como instrumento educativo e meditativo, como alegria e diletantismo, compreendendo inclusive os gêneros musicais modernos que arrastam multidões. Muitos projetos vêm sendo desenvolvidos por organismos não-governamentais que buscam tirar meninos e meninas da rua por meio da música. Há, também, muitas escolas que usam a musicalização infantil como instrumento educativo. Na área terapêutica, a música tem aspectos tranquilizantes: encontra-se a musicoterapia para crianças com hiperatividade e adultos com depressão e grande número de moléstias. Nos centros cirúrgicos é comum o uso da música para relaxar os que participam de procedimentos médicos e esse uso tem sido estendido para as enfermarias hospitalares como instrumento de apoio à recuperação de enfermos. Mário de Andrade inicia o ensaio Terapêutica Musical, com a reflexão: ?Não devo insistir sobre os efeitos psíquicos e fisiológicos da música, mas que suficientemente provados pela experiência de cada um, pela tradição e pela ciência. De resto, negar esses poderes seria negar a própria função dos sentidos... Donde lhe vem o seu extraordinário poder de atuação sobre o indivíduo e sobre as massas? A meu ver, de duas coisas essenciais: da força contundente de seu ritmo e da indestinação intelectual do seu som. A música não se explica, sente-se?. (*) É médico.

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