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Opinião

Minha casa, minha cidade, meu lar

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Até os bem intencionados factoides lulistas são uma eterna fonte de inspiração. O programa ?Minha Casa, Minha Vida? é um desses casos. Como de fato há um grave déficit habitacional no Brasil, a construção das casas surge como um bom negócio para muitos. O programa tem metas mais que justas. O problema reside ainda no caos vigente nas cidades brasileiras. As deficiências do ambiente urbano são cada dia maiores, em razão, principalmente, da forma como as nossas cidades são administradas. Os nossos gestores públicos, instados pela urgência eleitoral que gulosamente nos devora a cada dois anos, não conseguem mais planejar nada que supere o curto prazo, nem muito menos contratar e elaborar verdadeiros projetos de engenharia. Não se quer voltar ao fim do século passado, lá pelos anos setenta e repetir o que se fazia àquela época. Há instrumentos mais modernos à disposição dos administradores públicos, dos técnicos e da sociedade para fazerem com que os planos e projetos sejam elaborados com mais rapidez e os controles se tornem mais ágeis, ativos e racionais. Qualquer um, inclusive aqueles que lutam dia após dia para conseguir uma casa própria, sabem que o programa lançado pelo governo federal não é bem o que as belas propagandas mostram. As novas casas serão construídas em locais afastados de toda infraestrutura básica, como abastecimento de água, energia elétrica, vias de acesso e transporte público. Isso sem falar na infraestrutura cidadã, que inclui, além do acima relacionado, o esgotamento sanitário com tratamento, a coleta e o transporte do lixo, a drenagem de águas de chuva, a proteção do solo e encostas, bem como a proximidade de escolas, postos de saúde e segurança. Não se quer exigir o ideal; no entanto, não é possível compartilhar passivamente de decisões que não representem a real solução dos problemas. Afinal, ter as casas construídas mas com seus moradores apanhando água em baldes, vivendo em ruas sem pavimento ou mal pavimentadas, com esgoto correndo no meio-fio e convivendo com ratos que se alimentam de lixo não coletado, é manter as cidades como ambientes insalubres, que apenas crescem sem se desenvolver. O dinheiro disponibilizado pelo governo Lula para a área habitacional deve ser usado de modo que sejam gerados resultados sustentáveis, que só acontecerão se houver planejamento e verdadeiros projetos de engenharia que não incluam apenas o elementar dimensionamento de estruturas físicas, e sim a construção de obras que se fundamentem na qualidade técnica, em custos justos, em benefício social e proteção ao meio ambiente. (*) É engenheiro civil.

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