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A lei como norte

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Conforme o noticiário de ontem informou, parte da população considerou positivo o resultado da reação a um assalto a ônibus, cujo saldo apontou para um assaltante morto e outro ferido. Em seu blog, o jornalista Celio Gomes lançou, corretamente, preocupações acerca do modus operandi que se depreende do conjunto de fatos componentes do caso. As preocupações são procedentes, pois a violência pura e simples é uma perigosa resposta dada ao crescimento do crime organizado. O surgimento da figura do ?justiceiro?, do ?matador de bandidos?, mais das vezes, é saudada como uma reação válida, até necessária contra o crescimento do banditismo. E, historicamente, essa falsa solução tem trazido grandes problemas para todas as sociedades onde esses personagens, empalmando a justiça por conta própria, surgem como ?heróis?. E o dia seguinte? Quais as lições que perpassam para os indivíduos que se julgam detentores do direito de matar outras pessoas, rotuladas, julgadas sumariamente e condenadas sem apelação? Todas as vezes que esses personagens despontaram numa sociedade, nos momentos seguintes a suas performances de heróis justiceiros, fatalmente envolveram-se com o crime. Algumas dessas figuras chegaram a ser endeusadas por grandes veículos de mídia (como na época onde David Nassar fez a apologia da Escuderie Le Coq em O Cruzeiro ? então o principal veículo de mídia impressa no Brasil) e, desgraçadamente, a própria mídia registrou a (rápida) evolução dos ?heróis? em bandidos responsáveis por rosários de crimes. É urgente e indispensável a radicalização do combate aos bandidos. Mas é perfeitamente dispensável a prática do crime sob a desculpa de combater o crime. A lei e os procedimentos legais não podem ser postos de lado nesta batalha, sob pena da criminalização dos dois lados.

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