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Opinião

Submundo do lixo

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Poucos acontecimentos podem traduzir a tragédia da miséria humana com a dramaticidade da morte da criança que dormia, entre papelões, no lixão de Maceió. Desnecessário é relembrar os detalhes da tragédia, mas a partir daquela infelicidade, todos que possam dar uma contribuição à minoração deste gravíssimo problemas social deveriam redobrar seus esforços no sentido de serem ampliadas as ações de integração social e de segurança para tais ambientes onde o trabalho dos excluídos é praticado à margem de todas as regras. Há muito tempo que são discutidos projetos para a redução dos riscos desses tipos de atividade. Mas, de resultados práticos, nada. A cada dia parece crescer a multidão de seres que chafurdam nesses depósitos, a céu aberto, de resíduos sólidos. O lixão de Maceió, como inúmeros ?lixões? espalhados pelas urbes de todo terceiro mundo, há anos tem sido alvo de propostas no sentido de transformá-lo, efetivamente, num aterro sanitário. E, ano após ano, as boas intenções vão sendo atiradas ao lixo. Infelizmente, como retrato cruel de uma sociedade excludente e desprovida de projetos efetivamente sociais, pessoas de todas as idades, tal qual enxames de moscas, atiram-se às montanhas de dejetos a garimpar minguadas chances de sobrevivência para os momentos seguintes. Comunidades inteiras formam-se em torno desses lixões, especializando-se na cata do que a sociedade menos desfavorecida joga fora. É o submundo da sobrevivência nas condições mais abjetas e, como não poderia deixar de ser em tal cenário, as tragédias passam a fazer parte do cotidiano. Ontem, um menino foi atropelado e isso despertou a atenção da opinião pública. Mas, todos os dias, quantos não estão a perder a vida, aos poucos, em silêncio, ao tentar sobreviver do lixo? Esta é uma realidade que teria de ser jogada no lixo.

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