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Opinião

A lama preta

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Coincidência ou não, a exploração de petróleo no Brasil começou na Bahia, onde em 1858, o decreto nº 2266 assinado pelo Marquês de Olinda, concedeu a José Barros Pimentel, o direito de extrair betume para fabricação de querosene de iluminação em terrenos situados nas margens do Rio Marau. O paralelismo histórico-geográfico prende-se ao fato da criação da CPI da Petrobras ocorrer quando um baiano, Sérgio Gabrielli, ser seu presidente, quando poderão emergir informações que deveriam ficar para sempre sob o fundo negro do óleo. Em 1859, o inglês Samuel Allport, observou que durante a construção da Estrada de Ferro Leste Brasileiro, existia gotejamento de óleo em Lobato, subúrbio de Salvador. Mas só em 1930, 70 anos depois foi que o obstinado engenheiro agrônomo Manoel Bastos, constatou que os moradores locais usavam uma lama preta, muito oleosa, para iluminar as suas casas. Desde então, retornou várias vezes para pesquisar e coletar amostras, levando-as para diversas personalidades influentes, tentando-as interessá-las pelo óleo, sem jamais obter sucesso, a não ser o apelido de ?maníaco?. Obstinado, dirigiu-se ao Rio de Janeiro, onde depois de muito esforço, conseguiu ser recebido pelo presidente Vargas, a quem entregou o relatório sobre a ocorrência de Lobato. Somente em 1937, o diretor do Departamento Nacional de Produção Mineral-DNPN, Avelino Inácio de Oliveira decidiu-se pela exploração de poços de petróleo na Bahia. Em 1938, finalmente jorrou petróleo no poço DNPM-163, o primeiro do Brasil. Hoje, a Petrobras é a maior empresa nacional e uma das maiores do mundo no ramo da exploração do petróleo. Mas é também um cabide de empregos, reduto da CUT e do PT, que lá tem 44 líderes sindicais em relevantes cargos comissionados onde deveriam estar técnicos preparados. Sem falar nas transações lodosas. As muitas negociatas feitas com empresas desprovidas de qualquer respaldo para receber os muitos milhares de reais que lhes foram repassados, a título de apoio, patrocínio e outras nomenclaturas mais. A CPI da Petrobras, que somente será aberta após o recesso parlamentar, terá inevitavelmente o PMDB como fiel da balança ? abrir-se-á amplo balcão para negociações partidárias, que pouco tem a ver com o interesse nacional ?, e assim terá tudo para não dar em nada. A não ser que a mídia consiga mobilizar a opinião pública de forma adequada. (*) É médico e professor da Uncisal.

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