Opinião
Gripe e comunica��o
Em boa hora começam os trabalhos do Comitê Estadual de Combate à gripe suína. Formado por representantes de hospitais públicos e privados, esse grupo de trabalho está operando no sentido de uniformizar procedimentos voltados para o enfrentamento da pandemia da hora. Uma das medidas preventivas mais eficientes seria uma campanha educativa, onde peças publicitárias de fácil compreensão informassem ao povo como se prevenir de forma mais eficiente para não contrair o vírus. Uma série de mensagens tem circulado na Internet com orientações aparentemente inteligentes ? mas como nem tudo que circula na rede é cientificamente correto, essa boa ideia ? a de começar a prevenção pela educação ? deveria ser objeto de cuidados desse grupo de trabalho. Um dos graves problemas das pandemias é (como sugere a raiz da palavra) o pânico causado pela moléstia. O terror em nada ajuda, e o conhecimento de causa é o melhor dos antídotos para tudo que se relacione com o comportamento das multidões. Toda a população precisa saber o que é a gripe suína, como adotar medidas preventivas, como proceder no caso de suspeitas de contaminação, e tudo mais que o conhecimento possa ser transformado em medicamento. Pandemias não são novidade no mundo, desde a antiguidade. Mas o mundo contemporâneo, detentor de incríveis avanços na ciência e, particularmente, nas comunicações, não pode se permitir um retrocesso aos tempos da idade média, onde a desinformação foi a maior alidada do agente patológico que espalhou a terrível peste negra. Quando teve-se conhecimento de que a pulga do rato transmitia a doença, o combate à moléstia ganhou outra dimensão, mas até então milhões haviam morrido. Hoje, como nunca dantes, a comunicação de massa pode ser o primeiro dos medicamentos.