Opinião
Os lix�es e a m�dia
Tem razão o prefeito de Maceió quando afirma ser muito difícil resolver o problema do ?lixão? e que há anos tenta uma solução e sempre tem esbarrado em obstáculos. De fato, há muito tempo que novas alternativas para a destinação final dos resíduos sólidos vem sendo buscadas sem resultados objetivos, por diversas razões. Dentre as razões para a demora em se construir essa nova opção devem ser destacadas as divergências entre segmentos técnicos, interpretações jurídicas e grupos de pressão (moradores, investidores, ecologistas...) acerca da nova localização. Todos esses desencontros têm atrasado o processo, isto é verdade. Mas também é verdade que a atenção da mídia pode e deve ser utilizada como fator positivo para ajudar a implementação do novo projeto. As críticas devem ser vistas pelo lado positivo, pois são opiniões sempre favoráveis a mudanças numa realidade que ninguém concorda que venha a persistir em Maceió. Nem em Maceió, nem em nenhum outro município alagoano, pois é constatação comum, inequívoca, a mesma problemática em toda Alagoas: os lixões variam apenas de tamanho, mas apresentam os mesmos problemas, ou seja, são pessimamente localizados, são simplesmente entulhados (e não seguem projetos racionais como aterros sanitários) e são focos de atração para os excluídos, que se atiram sobre o lixo como única tábua de salvação, mobilizando famílias inteiras, pessoas de todas as idades, num trabalho abjeto, perigoso e absolutamente marginal. Os parcos recursos advindos deste labor não possibilitam a inclusão social dos ?catadores de lixo?, pelo contrário, faz surgir as ?favelas dos lixões?, verdadeiros guetos onde a miséria reina. É sobre essa realidade que a imprensa não pode calar. Todas as notícias sobre esse quadro dantesco devem ser entendidas (lidas, ouvidas, vistas) como uma alavanca a mais para a transformação.