Editorial
Desequilíbrio
O novo retrato da renda no Brasil expõe uma contradição que precisa ser encarada sem ilusões. O País alcançou, em 2025, níveis recordes de rendimento médio, mas voltou a registrar aumento da desigualdade social. Em outras palavras, o Brasil ficou mais rico, mas a riqueza continuou avançando de forma mais acelerada para quem já estava no topo da pirâmide.
Os dados do IBGE mostram que a renda dos 10% mais pobres cresceu 3,1% em um ano, enquanto a dos 10% mais ricos avançou 8,7%. O resultado foi a alta do índice de Gini, principal indicador de desigualdade, interrompendo a melhora observada nos últimos anos. Trata-se de um sinal de alerta importante, sobretudo porque o País ainda convive com profundas diferenças regionais e uma enorme distância entre as classes sociais.
Desde 2019 a renda das camadas mais pobres acumulou crescimento expressivo, impulsionada pelo aumento do emprego, pela valorização do salário mínimo e pelos programas de transferência de renda. Ainda assim, o cenário recente evidencia que crescimento econômico, sozinho, não garante distribuição equilibrada de riqueza.
O desafio do Brasil, portanto, não é apenas crescer. É transformar crescimento em desenvolvimento social duradouro, com geração de oportunidades, renda e mobilidade para quem permanece à margem.