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Opinião

O desodorante e o dedo sujo da CIA

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Com um furor cada vez mais intenso, a internet invade nossas vidas trazendo informações dos mais variados calibres. Dia desses houve uma mensagem que bombardeou de forma cerrada anunciando que os desodorantes aerossóis seriam vilões maiores do câncer de mama. Dentre as grandes dores narcísicas da humanidade, certamente o câncer (junto com o envelhecimento) ocupa privilegiada posição, daí não soarem estranhas teorias sobre suas causas e tratamentos, mesmo as mais exóticas e improváveis. Outras vezes são pessoas, geralmente notáveis, que ganham as páginas da rede servindo de chacota para adversários e desocupados em geral. É claro que a notoriedade do cidadão é fator fundamental. Bush, Obama, Chaves, Fidel, Bin Laden, dentre outros são pratos do trivial simples. Nesse aspecto, presidente Lula, no gelo ou ?cowboy?, com ou sem motivo, é iguaria das mais apreciadas. A organização policial americana secreta, a famigerada CIA, é outro alvo predileto da sanha dos internautas. Recentemente, uma mensagem recontou a história do mundo a partir de um visionário. O autor, certamente portador de algum tipo de distúrbio, vê a matriz americana até sob o urinol. Nunca houve serpentes no paraíso. Quem induziu nossos papais a se curtirem foi a CIA. Para criar clima de discórdia entre irmãos, um pistoleiro foi contratado e Caim carregou a culpa. No lance da Torre de Babel, agentes da CIA plantaram a discórdia e o megaprojeto virou um esqueleto. Júlio César, por exemplo, teria sido assassinado por conta de um complô dos senadores, estimulado por gente ligada à CIA e à imprensa hegemônica golpista americana. A morte de Jesus, sem dúvida o mais hediondo dos seus crimes, teve o ?dedo sujo? da nefasta agência gringa, trama diabólica que envolveria Pilatos, Judas e Pedro. Ghandi, tempos depois, teria seu dia de calvário. A Revolução Francesa foi urdida nos porões da Casa Branca para prestigiar a grande e a pequena burguesia. E quem era o carrasco da guilhotina? Ele, o agente sinistro. Vou resumir. No Brasil, os agentes detonariam a Inconfidência Mineira. Anos mais tarde, derrubaram Dom Pedro e mataram Vargas. Na própria América, no rol dos homicídios de políticos e atores (Monroe, Elvis, Jackson) planejou e executou a explosão das Torres Gêmeas. Bin Laden é um fogueteiro perto desses caras. A essa altura, rezo para que o querido patriarca Sarney seja amigo dessa turma. (*) É médico e professor da Ufal.

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