Opinião
Quem avisa...
Luiz F. Veríssimo, em certa escrita, disse da incoerência de tantos carros na rua serem sinal de riqueza, indústria próspera e, ao mesmo tempo, perturbação no trânsito com infindáveis congestionamentos. Como uma coisa puxa outra, a maior indústria desenvolvimentista, a construção civil, deve, principalmente no âmbito habitacional, ser olhada com muito carinho pelos poderes públicos. Programas facilitatórios de aquisição de moradia nas classes alta e média, podem trazer benefícios mas, a reboque, uma infinidade de problemas, notadamente quando o erguimento vertical situa-se em área de grande movimentação comercial. O plano diretor tem feito com que as construtoras fujam para o Farol onde, em lotes idênticos, icem torres bem mais altas, possibilitando diminuição do preço por apartamento. Ali, existe uma área que, apesar da já intensa movimentação, pressupõe-se como o maior problema infraestrutural que teremos, caso não se cuide desde agora. Num raio de, no máximo, quinhentos metros, serão erguidos sete edifícios, alguns com até vinte andares, chegando perto dos seiscentos apartamentos. É bom lembrar que, em cada casa que deu lugar a um prédio, morava uma família com talvez dois carros, consumo de água e consequente despejo deste porte. De repente, teremos uma avalanche de ? caso dois autos por morada ? mil destes, e gasto d?água com igual esgoto para seiscentas famílias. Como se não bastasse, além do supermercado existente, um outro está sendo erguido e uma universidade. Dá para saber que me refiro ao entorno das ruas Manoel Maia Nobre e Virgínio de Campos, tendo como centro deste raio a Avenida Fernandes Lima, exatamente no retorno em frente à Casa da Indústria. Quem reside na Ponta da Terra, Pajuçara, Ponta Verde, Jatiúca ou Stella Maris, já com inúmeros espigões implantados sem o devido acompanhamento do progresso por parte dos órgãos públicos, sofre constantemente com a falta d?água ? vejam-se o desfile matinal de dezenas de caminhões-pipa, a falta e a instabilidade diária do potencial energético, depressões em vias ocasionadas por vazamentos subterrâneos de velhos dutos de saneamento. Só não são atingidos pelo congestionamento de trânsito, pela grande quantidade de vias existente. Porém, o Farol, se ainda não tem vários desses entraves ao bem viver, é pródigo em um péssimo tráfego de veículos, que tenderá a piorar com a implementação dos projetos atribuídos àquela área. Por tudo isso, amigo é... (*) É bacharel em Economia ([email protected]).