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PONTO DE VISTA

O Brasil é mesmo o país do futuro?

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O Brasil é frequentemente descrito como o “país do futuro”, mas o problema é que esse futuro nunca chega. Somos a última Coca-Cola gelada do deserto: um potencial imenso, mas no qual ninguém mais parece acreditar. A pergunta nos corredores do poder e nas mesas de jantar é simples e, ao mesmo tempo, devastadora: por que, afinal, o Brasil nunca vai para frente?

A resposta mais simples aponta para a ausência de um plano de longo prazo. No entanto, se escavarmos mais fundo para entender os motivos dessa realidade que mais parece uma maldição, encontraremos uma raiz profunda escondida em nossa história: o imediatismo.

Essa maldição é um vilão invisível e silencioso que desenhou nossos fracassos ao longo dos séculos. O imediatismo nos faz trocar projetos de crescimento real por soluções urgentes e paliativas. É ele que nos empurra a aceitar migalhas hoje, ignorando o banquete que poderíamos desfrutar se tivéssemos a paciência de preparar a terra e esperar a colheita. É por isso que somos o celeiro do mundo e continuamos nos alimentando das sobras.

O resultado dessa pressa histórica é o que a economia chama de “voo de galinha”: pequenas fases de crescimento seguidas por quedas bruscas. Vivemos em um ciclo crônico de repetição, no qual promessas populistas surgem como salvadoras, mas apenas alimentam a mesma engrenagem que nos mantém reféns do subdesenvolvimento.

Mas por que, então, um país que carrega essa maldição seria a última Coca-Cola gelada do deserto? A resposta é simples: porque ainda não passamos pelo ciclo de desenvolvimento educacional e de produtividade que transforma nações. Países como a Coreia do Sul já provaram que investir no preparo desse solo, chamado educação, gera retornos avassaladores.

Se o Brasil decidisse, finalmente, arar essa terra com seriedade, poderíamos sustentar um crescimento de aproximadamente 5% ao ano nas próximas duas décadas. Não se trata de um sonho utópico, mas de uma fatia real de riqueza e produtividade que está à nossa espera. Afinal, quando o país cresce de forma sólida, o cidadão deixa de disputar sobras e passa a ocupar efetivamente seu lugar à mesa.

Estamos em um momento crucial. Discutir um plano robusto de crescimento não é um luxo intelectual, mas uma necessidade de sobrevivência. O futuro do Brasil depende da nossa capacidade de enxergar além do próximo trimestre ou da próxima eleição. Precisamos decidir se continuaremos sendo o país do eterno potencial ou se teremos coragem de reescrever nossa trajetória.

A pergunta que fica para todos nós é: se não começarmos a mudar o plantio agora, quando colheremos algo positivamente diferente?

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