Opinião
Buscando bom senso
Amplia-se a cada dia a perspectiva de mais prejuízos irreparáveis para a população alagoana em decorrência das paralisações dos serviços públicos. Não há nenhuma categoria assalariada, hoje, no mundo, que esteja satisfeita com seus salários e com suas condições de trabalho. Mas a consciência frente à crise e às consequências decorrentes de ações mais radicalizadas, tem forçado soluções baseadas no bom senso e na negociação. Em Alagoas, porém, nos últimos anos, todos os anos, a população é impreterivelmente castigada por interrupções nos serviços públicos. E, no frigir dos ovos, pazes feitas entre governo e grevistas, o povo consagra-se como único sacrificado. De que adianta a Justiça definir a legalidade ou ilegalidade de uma greve se essa decisão não produzir consequências? Há pouco, em decorrência de uma greve decretada ilegal, depois de findo o movimento, buscou-se, entre as partes, um acordo para o cumprimento das decisões judiciais. Magnanimamente, a própria Justiça decidiu anistiar 90% (noventa por cento) da multa aplicada e, com a concordância do governo, ainda parcelou a parte devida de 10% (dez por cento) em 60 prestações! O decidido pela justiça não se discute, cumpre-se. Mas parece que em Alagoas não é bem assim, e uma força maior se alevanta, pois a direção da entidade sindical, além de se rebelar contra o veredicto, já convoca nova mobilização (contra a decisão de Justiça). Desta forma, a liderança trabalhista ?legitima? ações em sentido contrário, ou seja, acende o sinal verde para o governo ignorar decisões pela legalidade de outras greves. Se isso for adiante sofreremos uma grave deformação do Estado de Direito, e as vozes roucas das ruas, ou dos gabinetes, mesmo que sussurradas, darão o tom, contrapondo e desmoralizando as decisões judiciais.