Opinião
Tarefas do novo pai
Durante toda a semana que passou, eu acompanhei a movimentação em torno da comemoração do Dia dos Pais. Foi impossível não parar para pensar sobre o papel desempenhado por eles em relação às suas famílias. E, num exercício reflexivo, fui puxando pela memória, tentando lembrar-me de várias referências do meu passado, fazendo um paralelo entre o pai de antes e o pai dos novos tempos. A minha curiosidade girava em torno do fato de que se há um novo tipo de homem, novos problemas para serem enfrentados, é de esperar que haja um novo tipo de pai. É comum nos lembrarmos do pai do passado, com algumas exceções, claro, como aquele que incorporava, principalmente, a figura do provedor e daquele que impunha ordem, quando a mãe cansada e descabelada dos afazeres do dia a dia, já não conseguia dar conta das peraltices dos filhos. Recorri então a uma pesquisa desenvolvida aqui, em Alagoas, pela professora Eliana Leitão e publicada na revista da Fapeal, em que buscava analisar o papel do pai na relação com os filhos. Parte dos resultados da investigação aponta que, em geral, os pais entrevistados ainda entendem o seu papel como provedor, mas que os filhos, assim como as esposas, esperam mais do homem do que a provisão de alimentos e a simples presença masculina dentro de suas casas. No presente, 30% das mulheres são responsáveis pelo sustento de suas famílias. A família quer dedicação e não aceita mais as velhas desculpas do cansaço do dia-a-dia para não recebê-la. Portanto, aquele velho paxá, sentado como rei na ?cadeira do papai?, enquanto todos lhe servem, deve se transformar no homem que descobre, diariamente, que criar os filhos é tarefa de ambos. Com isso, ganham todos. O novo pai é desafiado a acompanhar desde a preparação da mamadeira até as difíceis conversas da adolescência, sobre orientação sexual e sobre drogas. Ganham os filhos, que contam com a segurança de um pai que participa de todas as suas etapas; e ganham as mães que contam com a parceria inestimável do seu companheiro, aliviando a carga pesada que sempre carregaram. Para mim, esta não deve ser apenas atitude do novo homem, mas a de qualquer outro, em qualquer época, que envereda pela fantástica aventura de ser pai. O nascimento de um filho supera todas as emoções anteriormente sentidas: a partir daí abre-se uma ?luminosa manhã? de muitos abalos afetivos. (*) É médico, ex-secretário de Educação e de Saúde.