Opinião
A origem do pr�-sal
Há cerca de 220 milhões de anos, nosso planeta era formado por um só continente conhecido como Pangeia. Em decorrência da tectônica de placas ocorreu, inicialmente, (200 milhões de anos atrás) a separação em dois supercontinentes: um ao norte e outro ao sul. Ao sul, o supercontinente formado pela América do Sul e África, chamado de Godwana, também sofreu (há mais de 100 milhões de anos) a separação das placas sul-americana e africana em meio a intensas e constantes erupções vulcânicas. As fendas e fissuras da crosta terrestre resultantes dessa separação foram preenchidas, inicialmente, por lagos intracontinentais e, posteriormente, por mares, formando um golfo estreito e alongado que deu origem ao Atlântico Sul. De acordo com os geólogos, essa separação se deu do sul para o norte, situando-se os últimos pontos de separação no Rio Grande do Norte e Ceará. Não é à toa que a distância entre o sul/sudeste brasileiro e o sudoeste africano é mais que o dobro entre o Nordeste e a África. Quando os continentes estavam se separando e as aberturas geradas pelos rompimentos da crosta terrestre eram ocupadas pelos lagos, os rios traziam e depositavam, nesses lagos, uma imensa quantidade de sedimentos finos, riquíssimos em matéria orgânica, junto a rochas reservatório. Já na fase de mares restritos, precipitou-se uma camada de sal e, posteriormente, uma camada de sedimentos oceânicos de mar aberto. Todos esses eventos geológicos foram comuns ao longo das interfaces dos dois continentes. O perfil e a formação geológica da margem africana, da qual o nordeste brasileiro se separou, são semelhantes aos da bacia Alagoas/Sergipe e de outros Estados nordestinos, correspondendo ao Golfo da Guiné, que engloba Guiné Equatorial, Nigéria e Angola. Esses países são os maiores produtores de petróleo da África, com reservas estimadas em sete bilhões de barris e cujas bacias petrolíferas no pré-sal são muito menos profundas e mais próximas do litoral do que as do sudeste brasileiro. Já o Rio São Francisco, sendo o maior e mais caudaloso da costa oriental do Brasil, carreando, por milhões de anos, detritos orgânicos essenciais à formação de petróleo e gás na nossa bacia, acumulou sedimentos em quantidade superior às demais bacias petrolíferas brasileiras. Como a separação dos continentes se deu do sul para o norte, é lícito supor que as correntes marítimas favoreceram a acumulação no litoral alagoano, criando camada de sal de espessura menor que as das demais regiões de pré-sal do país. (*) É professor da Ufal (evilá[email protected]).