Editorial
Ações urgentes
A ameaça de um super El Niño, apontado por especialistas como possivelmente o mais intenso desde 1870, expõe não apenas a vulnerabilidade climática do Brasil, mas também suas profundas desigualdades sociais.
O alerta feito por mais de 70 organizações da sociedade civil ao governo federal reforça a gravidade do cenário e a necessidade de ações urgentes para evitar que eventos extremos provoquem uma nova onda de tragédias humanitárias no país.
As entidades destacam que enchentes, deslizamentos, secas severas, insegurança alimentar e incêndios florestais tendem a atingir principalmente populações pobres, periféricas, indígenas e quilombolas.
Ao cobrarem planos de contingência, investimentos preventivos e maior integração entre governos e comunidades locais, os movimentos chamam atenção para um problema que vai além do clima: a desigualdade estrutural brasileira.
Mais do que reagir aos desastres, o País precisa investir em prevenção. Fortalecer a Defesa Civil, ampliar sistemas de alerta, melhorar a infraestrutura urbana, proteger áreas de risco e garantir segurança hídrica são medidas essenciais para reduzir danos humanos e econômicos. Também é necessário valorizar iniciativas já desenvolvidas pelas próprias comunidades vulneráveis.