História
Construtores de AL – CXXXVIII
A escritora Anilda Leão Moliterno, imortal da Academia Alagoana de Letras (AAL), nasceu em Maceió (15.07.1926) e teve uma vida intelectual marcada pelo sucesso, tanto nas letras quanto no jornalismo alagoano. Casou-se com o jornalista Carlos Moliterno, então presidente da Casa de Demócrito Gracindo (1953), com quem teve dois filhos: o arquiteto Carlos Alberto e a colega economista Luciana.
Além de diplomada pela Escola Técnica de Comércio de Maceió, realizou cursos intensivos de Literatura Brasileira, Alagoana e Portuguesa, Oratória, Dicção, Declamação, Música Erudita, Música Popular, Música Sacra, Teatro, Canto Coral e Canto Lírico.
Manteve a coluna Semana Semanal na Gazeta de Alagoas e no extinto Jornal de Alagoas. Filiou-se à Associação Alagoana de Imprensa e a outras instituições nobres. Publicou, em 1961, seu primeiro livro de poemas, intitulado Chão de Pedras. Na década de 1970, lançou Chuva de Verão e Poemas Marcados, ambos de poesias. Em 1980, surgiu o livro de contos Riacho Seco; em 1990, o livro de crônicas Olhos Convexos; e, em 1993, brotou Círculo Mágico (poemas).
Além disso, atuou nas peças teatrais Bossa Nordeste e Farsa da Boa Preguiça, de Ariano Suassuna. Na década seguinte, integrou o Conservatório de Música de Alagoas.
Destaco a peça Onde Canta o Sabiá, da qual participou integrando o elenco da Associação Teatral de Alagoas. Estudou canto lírico com as professoras Iazinha Calmon e Aída Wucher, ambas do Conservatório de Música de Alagoas. Além de recitais em Maceió, Penedo e Marechal Deodoro, apresentou-se em outros estados, como Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Mulher erudita, sempre preocupada com os problemas sociais do Estado e do País, lutou contra os preconceitos de sua época. Foi tida como subversiva e amoral por sua coragem de abordar temas como o tabu da virgindade e de batalhar pelos direitos da mulher. Pertenceu ao Grupo Literário Alagoano, à Cruz Vermelha Brasileira — Seção de Alagoas — e foi presidente da Federação Alagoana pelo Progresso Feminino.
Laureada pela Casa de Demócrito Gracindo por seus trabalhos de prosa e poesia, foi recipiendária de vários troféus e medalhas importantes, como intelectual de escol. Na Câmara Municipal de Maceió, recebeu as comendas Mário Guimarães e Graciliano Ramos (1986). Convivi com Anilda Leão por várias décadas. Foi sempre atenciosa comigo, além de portadora de grande solidariedade humana.