Opinião
Uma guerra sem fim
Ontem, uma ex-detenta foi presa, em flagrante, por tráfico. A cidadã, até duas semanas atrás estava cumprindo pena em função de idêntico ilícito penal. Essa notícia estimula diversas análises acerca de realidade tão dura e complexa. Em primeiro lugar, é necessário se evitar o erro de responsabilizar iniciativas como o mutirão carcerário como uma ação destinada a ?devolver bandidos às ruas?. Promover a ressocialização é um dos deveres do Estado e, antes que prosperem disparates semelhantes, é bom saber que, dos apenados aos quais foram devolvidos os direitos de viver fora das grades, quantos reincidiram no crime e quantos lograram êxito em retomar a vida de acordo com a Lei. Na falta de uma estatística oficial, torna-se útil observar o noticiário e, pelo acompanhado pela imprensa, a impressão que se tem é que apenas minoria das pessoas postas em liberdade retorna a seara criminosa. Enquanto não se dispõe de pesquisas consolidadas que desmintam tal assertiva, vale a pena apostar na correção de injustiças e na concessão de novas oportunidades àquelas pessoas que pagaram, pelo menos em parte, suas dívidas para com a Justiça. Em segundo lugar é importante aplaudir a ação policial em monitorar elementos suspeitos de manterem laços com o mundo do crime. Esse trabalho de inteligência e paciência é um dos mais capazes de frutificar em ações eficientes de combate ao crime. Em terceiro lugar, fica clara a necessidade de se centrar fogo no combate ao tráfico. E este combate, além de ser policial, tem que ser educativo. De forma permanente, persistentemente, o poder público, sempre em parceria com entidades não-governamentais, deve manter acesa a chama da comunicação em massa, chamando a atenção de toda a sociedade para os malefícios da droga e apelando para o apoio de todos os segmentos da população nesta guerra contra o crime organizado.