Opinião
O perfume franc�s e as pandemias
Gripe suína (H1N1) está no palco de todas as conversações; o que é, de certa forma, muito bom. É necessário que a população esteja bem a par do que é, e que providências deve tomar em caso de acometimento. Há poucos dias tive a oportunidade de proferir uma palestra sobre esse tema, no Rotary Clube Maceió, entremeando o passado e o presente, ao citar epidemias passadas que dizimaram cidades inteiras e tecendo considerações sobre a atual (gripe suína). No passado, uma epidemia de ?peste bubônica? matou cerca de um quarto da população da Europa. Os médicos, para evitar contaminação, usavam um vestuário fechado da cabeça aos pés. Para respirar, utilizavam uma máscara com um bico alongado e curvo, cuja extremidade era semicerrada por uma bola de algodão embebida em resinas vegetais, substâncias aromáticas e perfumes produzidos na França. Quando a epidemia desapareceu, os franceses ficaram com um problema: as indústrias de perfumes para atender às necessidades dos vestuários dos médicos ficaram obsoletas. A França, para evitar desemprego, buscou uma saída: em vez de fechá-las passou a exportar os perfumes produzidos por elas para o mundo inteiro. O ser humano representa, ao mesmo tempo, o supremo poder e a extrema miséria. Suas naves espaciais cruzam o espaço, pousam na lua e buscam planetas, comandam moléculas e átomos; entretanto, pode ser vítima de um vírus, infinitamente pequeno, agente infeccioso que se reproduz em células vivas. Sobre a pandemia de gripe, uma pergunta geralmente é feita: por que é chamada de gripe suína? Eis a resposta: o vírus da gripe sofre mutação contínua no porco, pois esse animal possui, nas vias respiratórias, receptores sensíveis aos vírus da ?influenza? suína, humana e aviária. Os porcos tornam-se incubadoras que favorecem o aparecimento de novos vírus gripais. Todavia, a carne suína quando cozida não faz mal nenhum. Existem vacinas? Empresas farmacêuticas e órgãos de vários governos estão desenvolvendo vacinas contra esse novo tipo de gripe. As vacinas devem começar a ser vendidas no Brasil no próximo ano. Lembre-se, leitor: as gotículas expelidas pela tosse dos doentes são altamente contagiosas. Nos cinemas, em permanente semi-obscuridade, as gotículas que caem nos braços das poltronas podem ser agentes contaminadores, até 24 horas depois de expelidos. Prevenção é a palavra de ordem dos órgãos oficiais. (*) É médico, ex-secretário de Saúde e de Educação.