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Opinião

A sustent�vel leveza de sermos n�s mesmos

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O ?To be or not to be?, frase tão famosa de Shakespeare, entra nesta crônica, neste despretencioso comentário, de maneira direta: é que vamos abordar a autenticidade, aquele jeito de sermos nós mesmos, sem o manto suave da hipocrisia de que nos falou o poeta. A dimensão humana traz no seu todo um amontoado de mistérios, pleno de grandeza e fascínio, de sabedoria e aturdimento. Nossas vidas são compostas de pensamentos, atos e emoções. A diferença entre as pessoas está somente no grau de clareza com que cada um organiza o próprio conhecimento. Sócrates acreditava que cada um devia cultivar um caráter individual forte e muitas virtudes pessoais. Shakespeare, em Hamlet, põe na boca de Apolônio: ?Acima de tudo, sejas sincero consigo mesmo e, certamente como a noite segue o dia, tu não poderás, então, ser falso com qualquer homem?. O indivíduo autêntico certamente é olhado como um animal raro, mas um animal que incomoda. Incomoda porque as pessoas quase sempre desejariam possuir essa mesma autenticidade, mas preferem, por questões várias, refrear seus ímpetos, optando mesmo por ficar sob o estado tão terrivelmente incômodo de uma frustração a ir contra aqueles com quem convivem cotidianamente e com quem compartilham essa existência. O comportamento das pessoas autênticas é espontâneo, é natural, livre de tabus e preconceitos. São pessoas em que podemos sempre confiar, pois são homens e mulheres sempre em busca de si mesmos, criando e recriando caminhos. E é justamente nesse caminhar que muitos de nós vão perdendo o principal na vida, que é o sentido do humanismo. Aí sobrevêm o falso humanismo, o falso puritanismo, deformando a vida ? que é tão bonita para quem tem olhos, e alma sobretudo, para enxergá-la e senti-la. O aperfeiçoamento humano, a valorização da nossa condição, a nossa autenticidade, sobretudo, fazem com que a própria existência que nos foi outorgada pelo criador torne-se mais bonita e até mais pura. Em gente autêntica existe um mundo de pureza, de limpidez de caráter que não dá mesmo para todo mundo entender. Ao término dessas divagações, gostaria que meus parcos leitores chegassem à mesma conclusão a que cheguei ainda na minha adolescência: a de que só somos dignos desta vida quando servimos aos nossos próprios apelos, dentro daquela sinceridade de propósitos que caracteriza os autênticos, porque de hipocrisia, e dos males dela advindos, o mundo sempre andou muito cheio. (*) É escritora.

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