Opinião
Ser padre: uma vida como presen�a de Cristo
O sacerdócio somente pode ser compreendido na fé. Ele nasce de um plano do Senhor, que estabeleceu que na sua Igreja, desde as origens, houvesse pastores que agissem em seu nome e na sua pessoa. É aqui que se insere o sacerdócio. O padre é, antes de tudo, alguém chamado pelo Senhor, que não escolhe os melhores, os mais capazes; escolhe os que ele quer (cf. Mc 3,13), de acordo com uma lógica que, sinceramente, nos escapa. Esse chamado repercute no coração de quem foi escolhido e é confirmado pela Igreja, que reconhece na pessoa alguém apto para o ministério. Assim sendo, a primeira atitude de quem foi chamado é de admiração e de gratidão pela escolha do Senhor. O escolhido recebe um selo dado pelo Espírito Santo do Cristo ressuscitado, que o torna para sempre apto para agir fazendo as vezes do Cristo, cabeça de sua Igreja. Esse selo não vem da Igreja; vem de Deus que é fiel e jamais retira o dom que concede! Ser padre não é primeiramente um fazer; é um ser: ser representação viva, verdadeira, profunda, existencial de Jesus Cristo que deu a vida pelo rebanho e por toda a humanidade. Ser padre marca toda a vida de uma pessoa, pois não se trata de uma profissão, mas de um estado de vida, uma vocação. Essa missão concretiza-se em três tarefas bem específicas exercidas em nome e com a autoridade do Senhor. (1) Anunciar a palavra de Deus: o padre é um homem da palavra, uma palavra que não é sua, mas do Senhor. Não se espera do padre opiniões privadas, mas a palavra de Cristo tal como é conservada e proclamada pela Igreja com a assistência do Espírito Santo. (2) Pastorear o rebanho em nome do Cristo. Ele não é o dono do rebanho: é o pastor, que dá a vida pelas ovelhas! Ele sempre deverá recordar-se que o rebanho pertence a Cristo e que sua grande honra é conduzir esse rebanho ao Senhor, sem oprimir, sem estropiar, sem usar as ovelhas. (3) Santificar o rebanho em nome de Cristo, rezando pelo rebanho, celebrando os sacramentos e, sobretudo, celebrando para o povo de Deus e com o povo de Deus, a Eucaristia, isto é a Santa Missa, onde mais que em qualquer outro momento, mais que em qualquer outra atividade, o sacerdote age na pessoa de Cristo: já não é ele quem realiza; é Cristo mesmo quem realiza nele e através dele! Ora, se essa missão do padre abarca toda a sua existência, ele deve fazer de toda a sua vida uma doação aos outros por amor de Cristo. E isso é expresso de modo particularmente visível no celibato sacerdotal. O padre não casa para ser sinal de pertença total ao Senhor e de doação total ao rebanho. (*) É bispo auxiliar de Aracaju.